Cantar o Natal

Temas natalinos encerram temporada erudita no Palácio das Artes

iG Minas Gerais | Priscila Brito |

Concerto inclui compositores de diferentes estilos, num espectro que vai de Händel a Assis Valente
Anna FTG/Divulgação
Concerto inclui compositores de diferentes estilos, num espectro que vai de Händel a Assis Valente

Quase dois séculos separam a composição do oratório “O Messias” (1741), do alemão naturalizado britânico Georg Friedrich Händel (aquela do famoso coro “aaaaleluia”), de “Boas Festas” (1933), popular canção de Assis Valente (“anoiteceu, o sino gemeu...”). 

Nesse intervalo e também depois dele, outros compositores se inspiraram no Natal para criar, tornando o repertório natalino bem mais diverso do que faz crer a repetição eterna aqui no Brasil de “Então É Natal”, versão abrasileirada de Simone para “Happy Xmas (War Is Over)”, de John Lennon.  É sobre esse vasto repertório, de Händel, Valente e outros, que se debruçam a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, o Coral Lírico de Minas Gerais e o Coral Infantojuvenil Palácio das Artes no Concerto de Natal, neste sábado (20), no Palácio das Artes. No programa, peças eruditas e folclóricas, medleys que resumem a tradição de cantar o Natal construída no hemisfério norte.    “Nos países de língua inglesa e na Europa como um todo, essa tradição é muito forte. Todo mundo canta essas músicas, é uma coisa que cruza religiões e sociedades”, afirma o maestro Marcelo Ramos, regente titular da Orquestra Sinfônica.    O destaque do programa selecionado para o concerto fica para duas obras inéditas no repertório do Coral Lírico, “Fantasia on Christmas Carols” (1912), do britânico Vaughan Williams, e “A Ceremony of Carols” (1942), do também britânico Benjamin Britten.   A obra de Williams é uma amostra da larga tradição de canções natalinas no lado de cima do Equador: composta no início do século passado, é um compilado de canções folclóricas de domínio popular sobre a festa de fim de ano coletadas pelo próprio autor no sul da Inglaterra. “Essa suíte é muito marcante. Parece música de filme. Tem momentos muito potentes e grandiosos. E o grande trunfo dela é o jeito como o autor conjugou solistas, orquestras e coro. Todos têm seu momento importante”, descreve o maestro.    Já “A Ceremony of Carols” deve chamar atenção pela linguagem. “É uma obra com formação diferente, só com coro e harpa. Ela também é instigante porque tem um viés mais contemporâneo”, diz. Para equilibrar novidade e tradição, o programa traz também “O Messias”, de Händel. Da grandiosa narrativa de mais de duas horas sobre a vida de Cristo foram selecionados quatro dos mais conhecidos coros da peça. “Todo mundo conhece os trechos dessa obra de algum lugar”, nota Ramos.   Medleys O ineditismo fica por conta também de novas orquestrações feitas especialmente para o concerto, caso de “Batuque Natalino de Um Menino Só” e “Sinos a Tocar”.  Ambas integram o medley “Coletânea de Temas Natalinos”, elaborado para o Coral Infatojuvenil e que traz canções contemporâneas mais conhecidas do público, como “Jingle Bell Rock”, canção de 1957 abraçada pela cultura pop: foi trilha sonora do filme “Esqueceram de Mim 2” e regravada quase uma centena de vezes por gente tão diversa quanto a ex-Spice Girl Geri Halliwell e a banda britânica de pós-punk The Fall.   A “Suíte Papai Noel” também cumpre a tarefa de agregar temas diversos no estilo “volta ao mundo”. É um garimpo de canções do Brasil, Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra. A composição encerra o concerto com certo ar de recordação. Composta por Marcelo Ramos, ela foi apresentada na capital em 2004, mas não voltou a ser executada na cidade desde então. “É uma obra de grande efeito orquestral e foi feita justamente para encerrar uma temporada de concertos”, garante o maestro.   Concerto de Natal Com a Orquestra Sinfônica, o Coral Lírico de Minas Gerais e o Coral Infantojuvenil do Palácio das Artes Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro, 3236-7400). Neste sábado (20), às 20h30. R$ 10 (inteira)

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