Blatter: Relatório sobre corrupção será divulgado 'da forma apropriada

Preisdente reafirmou, no entanto, que a Fifa não vai voltar atrás na atribuição dos Mundiais à Rússia e ao Catar

iG Minas Gerais | AFP |

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O relatório Garcia relativo à atribuição das Copas do Mundo de 2018 à Rússia e de 2022 ao Catar será apresentado "da forma apropriada", anunciou nesta sexta-feira o presidente da Fifa, Sepp Blatter, após uma reunião do Comitê Executivo do órgão máximo do futebol mundial, no Marrocos.

Blatter reafirmou, no entanto, que a Fifa não vai voltar atrás na atribuição dos Mundiais à Rússia e ao Catar, depois da renúncia do autor do informe, Michael Garcia, na quarta-feira, denunciando falta de transparência por parte da instituição.

A expressão "da forma apropriada" leva a crer que a Fifa não vai divulgar o relatório Garcia na íntegra, como seu autor queria.

"Pedi ao Comitê Executivo da Fifa que votasse em favor da publicação do informe da câmara de investigação", declarou Blatter em um comunicado.

"O Comitê Executivo aceitou por unanimidade um pedido à câmara de julgamento do comitê de ética independente para que divulgue o relatório da forma apropriada, depois que os procedimentos em curso sobre várias pessoas sejam concluídos", acrescentou.

Investigações internas na Fifa estão em andamento contra várias pessoas suspeitas de comportamentos duvidosos na atribuição das Copas do Mundo.

Em novembro, a Fifa apresentou uma denúncia à justiça suíça por suspeitas de "transferências internacionais de patrimônio, tendo a Suíça como ponto de contato", com "diversas pessoas" envolvidas.

O presidente da Uefa, o francês Michel Platini, viu com bons olhos a notícia da publicação do relatório Garcia.

"Era importante que o Comitê Executivo decidisse publicar o relatório. Sempre lutei por mais transparência e vejo isso como um passo na direção certa. Esperemos que o relatório seja publicado o quanto antes. A credibilidade da Fifa está em jogo", declarou.

Platini, considerado o mais forte candidato a suceder Blatter na presidência da Fifa no dia em que o suíço resolver se afastar da entidade, já havia pedido a publicação do relatório diversas vezes.

Demissão de Garcia Na quarta-feira, o dirigente francês descreveu a saída de Michael Garcia do cargo de presidente da Câmara de Investigação da Comissão de Ética da Fifa como "um fracasso da entidade".

Michael Garcia, ex-promotor federal dos Estados Unidos e responsável pela investigação sobre o processo de escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022, havia anunciado no mesmo dia em comunicado sua demissão.

Garcia explicou que a decisão foi motivada pelo fato de ter tido negado na terça-feira um recurso sobre as conclusões tiradas pela Fifa de seu relatório em relação ao processo de escolhas das sedes dos próximos dois Mundiais, na Rússia (2018) e no Catar (2022).

"Não concordo com esta decisão (de negar o recurso) da Comissão de Recursos da Fifa", escreveu em comunicado, enviado pelo escritório de advocacia no qual o ex-promotor trabalha.

No comunicado, Garcia critica duramente a entidade internacional. "Durante os dois primeiros anos no cargo de investigador independente da Câmara de Investigação da Comissão de Ética da Fifa, pensava que progressos reais tinham sido feitos. Nestes últimos meses, isso mudou", acusou.

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