Pimentel critica 'falta de informações' sobre contas do governo de MG

Equipe de transição tem se queixado das "arapucas" financeiras armadas para o PT, que pela primeira vez assumirá o poder estadual em Minas

iG Minas Gerais | Folhapress |


Pimenta da Veiga vai destacar que foi o criador do Propar em 1989
UARLEN VALERIO / O TEMPO
Pimenta da Veiga vai destacar que foi o criador do Propar em 1989

Há 12 dias da posse, o governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), reclamou nesta sexta-feira (19) do que chamou de "falta de informações nítidas" sobre as contas da atual gestão do governador Alberto Pinto Coelho (PP), que sucedeu em abril deste ano o tucano Antônio Anastasia. No ato de diplomação pela Justiça Eleitoral, ao ser questionado sobre sua primeira medida após empossado, o petista se queixou.

"Logo após nós constatarmos a situação orçamentária e fiscal do Estado de forma mais nítida, que nesse momento não temos, vamos criar rapidamente os fóruns de participação popular nas regionais do Estado, como eu disse na campanha", afirmou.

Toda a equipe de transição tem se queixado das poucas informações e do que chamam de "arapucas" financeiras armadas para o PT, que pela primeira vez assumirá o poder estadual em Minas.

O governo atual, por sua vez, diz que todas as ações das equipes de transição foram acordadas pelos dois lados, a equipe que entra e a que sai. Mas os petistas veem, por exemplo, na tentativa de reajuste linear de 4,65% para todo o funcionalismo, no apagar das luzes e retroativo a outubro, para ser pago em janeiro, uma forma de deixar o caixa ainda mais vazio. Nos quase 12 anos da gestão do PSDB, nunca foi dado aumento linear. As discussões eram feitas por categoria. É o que Pimentel disse que pretende fazer logo que tomar posse e dar "o reajuste possível", disse

O PT e o PMDB têm agido no Legislativo no sentido de tentar obstruir essa e outras votações que entendem ser prejudiciais. Com isso, o orçamento fiscal do Estado pode não ser votado neste ano, o que criaria restrições para Pimentel governar.

Cassação

Pimentel foi diplomado, mas ainda terá que aguardar a Justiça Eleitoral julgar o pedido de cassação do seu diploma feito pela Procuradoria Regional Eleitoral nesta quinta-feira (18), depois que o Tribunal Regional Eleitoral rejeitou as contas de sua campanha. Isso ocorreu porque as contas de Pimentel apresentaram R$ 10 milhões a mais de despesas do que os R$ 42 milhões declarados, sem que a comunicação prévia tivesse sido feita à Justiça.

Pimentel recorreu. Sua defesa alega que não houve gasto além do informado, porque o valor que excedeu foi uma transferência para o comitê financeiro único.

Pimentel comentou sobre isso na diplomação. "Não tem decisão final. Nossos argumentos são muito sólidos. Tenho certeza que, ao final, essa questão vai ser revista e teremos tranquilidade para governar", disse.

Choro

Pimentel chorou ao discursar na diplomação, quando citou o trabalho da Comissão da Verdade sobre os desaparecidos políticos. Pimentel foi preso e julgado pela ditadura militar juntamente com a presidente Dilma Rousseff, sua amiga.

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