Eduardo Cunha pede cautela na citação de políticos na Lava Jato

"Tem que se mostrar em que contexto estão sendo citados, qual o tipo de citação, se é acusação, até para dar, a quem for citado, ou acusado, o direito à defesa", disse o deputado, vice-líder do PMDB

iG Minas Gerais | Folhapress |

AGÊNCIA CÂMARA - 12.3.2011
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Candidato à presidência da Câmara dos Deputados, o vice-líder do PMDB na Casa, Eduardo Cunha (RJ), disse nesta sexta-feira (19) que devem ser vistos com cautela os nomes de partidos e de políticos mencionados em depoimentos da Operação Lava Jato.

" [Os nomes] estão citados sem contexto. Tem que se mostrar em que contexto estão sendo citados, qual o tipo de citação, se é acusação, até para dar, a quem for citado, ou acusado, o direito à defesa", disse o deputado, durante lançamento da candidatura no Rio de Janeiro. "Nâo me cabe fazer qualquer tipo de comentário, nem julgamento prévio", ressaltou, cauteloso.

De acordo com o jornal O Estado de S.Paulo, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa listou, em delação premiada, oito nomes do PMDB, envolvidos no esquema de fraudes na Petrobras,entre os quais os presidentes da Câmara e do Senado, Henrique Eduardo Alves (RN) e Renan Calheiros (AL), respectivamente. Paulo Roberto citou dez nomes do PP, oito do PT, um do PSB e um do PSDB, sendo sete senadores e 11 deputados federais.

Perguntado se defenderia a cassação do mandato dos políticos com participação comprovada no esquema, Cunha esclareceu que o presidente da Câmara não tem esse papel. "Para cassar alguém, há um rito regimental", declarou, lembrando que o processo passa pelo Conselho de Ética e por votação no plenário.

"Não tem questão de pessoalmente [opinião pessoal]. Eu tenho que me expressar como candidato à presidência da Câmara, não posso aqui confundir o papel que vou exercer com minha posição de deputado", acrescentou.

A lista do ex-diretor da Petrobras inclui também ex-governadores como Sérgio Cabral (PMDB-RJ), sucedido por Luiz Eduardo Pezão (PMDB), que foi vice-governador nas duas gestões de Cabral e eleito, em outubro, para chefiar o Executivo fluminense, de 2015 a 2018.

Presente à cerimônia, Pezão também disse que é preciso "ter tranquilidade" com a divulgação dos nomes. "As pessoas citam os nomes das outras (...) Procurei ler a matéria, e ela não fala em valores, quantias. Então, temos que tomar cuidado e dar às pessoas o direito de se defender", afirmou.

"Estive sete ano e quatro meses ao lado do Sérgio [Cabral] e, em nenhum momento, vi pedido de indicação para a diretoria da Petrobras ou de presidência. Então, tem que ter tranquilidade", completou.

O jornal O Estado de S.Paulo, que obteve os nomes citados na delação premiada com exclusividade, também menciona, entre os envolvidos, o governador reeleito do Acre, Tião Viana (PT), a ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) e o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, ambos falecidos.

Na delação, Paulo Roberto Costa diz que pessoas recebiam repasses de cerca de R$ 1 milhão, com frequência, e que o dinheiro foi usado nas campanhas.

Além de políticos do PMDB fluminense, também participaram do lançamento da campanha de Eduardo Cunha à presidência da Câmara dos Deputados a líder do PTB, Cristiane Brasil, o ex-candidato à Presidência da República pelo PSC, Pastor Everaldo, e o senador Francisco Dornelles (PP), vice-governador eleito do Rio de Janeiro.

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