De repente, Papai Noel

Há dois anos, de maneira inesperada, o administrador Eustáquio José Oliveira foi convidado para atuar como bom velhinho e topou o desafio de se tornar um ícone

iG Minas Gerais |

Simpatia. Eustáquio e as “noeletes” também se divertem bastante ao fazer a alegria das crianças que passam pelo Shopping Contagem
BRUNA MACHADO/DIVULGAÇÃO
Simpatia. Eustáquio e as “noeletes” também se divertem bastante ao fazer a alegria das crianças que passam pelo Shopping Contagem

No decorrer do ano ele é um cidadão como outro qualquer: ajuda nos afazeres domésticos, paga as contas e passeia com a família. Mas, quando chega o fim do ano, ele se transforma em uma figura centenária, ícone do Natal e ídolo de inúmeras crianças.

Tudo começou há dois anos, quando o administrador Eustáquio José Oliveira, 68, foi ao shopping levar os netos da esposa para visitar o Papai Noel e, de repente, foi informado que o bom velhinho queria falar com ele. “Nem boa tarde aquele senhor me desejou. Foi logo dizendo que eu tinha o perfil ideal que ele estava buscando e me convidou para viajar no dia seguinte para o Espírito Santo. Agradeci o convite, mas não poderia ir, pois já tinha um compromisso familiar. Então ele me fez prometer que entraria em contato em janeiro, e assim fiz”, conta.

A partir de então, alguns detalhes mudaram na rotina de Eustáquio. “Tanto meu cabelo quanto a barba são naturais, mas, para isso, tenho que cuidar da barba a partir de fevereiro”, diz. E, no ano passado ele fez sua estreia como Papai Noel. “Foi muito legal, mas precisei controlar a ansiedade e emoção. Fiquei com medo de não dar conta, mas quando vi o sorriso e o olhar surpreso e encantado das crianças, dei o melhor de mim, pois sabia que não poderia decepcioná-las”, recorda.

Neste ano, Eustáquio está fazendo a alegria das crianças que passam pelo Shopping Contagem e afirma que não tem dinheiro no mundo que pague todo o carinho que recebe durante esse período. “Os sorrisos desses pequenos lubrificam meu velho coração, mas por aqui passam também adultos e idosos que carregam consigo o encanto dessa época. Houve um dia em que uma senhora já de idade se aproximou e pediu um abraço do Papai Noel. Fico feliz em representar algo bom para essas pessoas”, pondera.

Inusitado

Dentre as muitas histórias que já coleciona nesse período, Eustáquio se rende às gargalhadas quando recorda o dia em que a sobrinha foi levar o filho para visitar o Papai Noel. “Ela sabia que eu estava atuando como o bom velhinho, mas acho que se esqueceu. Chegou aqui, me cumprimentou, mas não me reconheceu. Quando a cutuquei e ela ouviu minha voz, levou um baita susto”.

Espírito natalino

Com a correria do dia a dia, muitas pessoas acabam se preocupando demais com os presentes e a ceia e esquecem de celebrar o real sentido do Natal. “Hoje em dia a magia desta data se perdeu um pouco. Muitas famílias fazem questão de deixar claro para as crianças que Papai Noel não existe, mas vai além disso. O desamor vem tomando conta do mundo, a cada dia nos deparamos com notícias mais tristes, e o respeito ao próximo parece fora de moda. Quando olho para essas crianças fico pensando o que será do futuro de cada uma delas. É preciso resgatar e difundir o amor”, reflete. 

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