Um estilingue com 34 anos de carreira

Festival FUROR promove programação especial com grupos de reggae estabelecidos em Belo Horizonte

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Novidade. Celso Moretti vai apresentar músicas de carreira e cinco inéditas
carlos stan / divulgação
Novidade. Celso Moretti vai apresentar músicas de carreira e cinco inéditas

A programação musical do Festival FUROR apresenta uma miscelânea de gêneros. Nas apresentações que acontecem amanhã, no Mercado Distrital do Cruzeiro, será a vez do reggae ganhar todas as atenções por meio de artistas que, entre outros predicados, compartilham o fato de sempre estarem divulgando o estilo em Belo Horizonte.

Entre eles estão Picnic Slowfood, Deskarreggae Sound System, Tenda Sound System e, aquele com provavelmente a mais tempo representa o movimento por aqui, Celso Moretti. “Tenho 34 anos de carreira e nos últimos tempos tenho rodado por muitas capitais e devo confessar que Belo Horizonte é uma daquelas com menor repercussão do reggae. Estados como Pará e Amazônia tem uma tradição melhor que nossa”, relata.

A justificativa para esse cenário pessimista está, aos olhos de Moretti, na efemeridade com a qual as bandas têm tratado a elas mesmas. “Vejo que os grupos duram dois, três anos e depois os integrantes partem para outras bandas. Assim não se cria uma tradição, nem mesmo se consegue formar um público constante”, opina.

Por isso que, para o cantor, espaços como este cedido para o festival para o reggae e grupos que sustentem os estilos são fundamentais para transformar essa realidade. “Esse pessoal do Deskaraggae e da Tenda têm feito um trabalho muito bom no que diz respeito a difusão do estilo por aqui e agindo como multiplicadores, como todo artista dever fazer. Acredito que estamos trilhando um caminho para que o cenário melhore”, afirma.

Outro aspecto ressaltado pelo artista diz respeito à infraestrutura do evento. Para Moretti, o formato com um palco menor cria uma relação mais intimista com o público, um laço que dialoga diretamente com o principal alicerce de seu trabalho. “Não sou um artista com larga abrangência, não tenho milhares de curtidas no Facebook, nem disponibilizo meus álbuns integralmente na internet. Prefiro ter uma alcance menor, mas conhecer de perto até onde esse alcance vai e também ter contato direto com meu público. Por isso que eu mesmo vendo meus CDs, converso com quem compra para saber o que eles acharam e tal”, diz.

Em toda sua trajetória, Moretti desenvolveu composições que revelem a realidade da periferia. Inclusive, é conhecido por ter criado o reggae favela. Seguindo tais parâmetros, finaliza seu quinto álbum. “Estilingue”, que ficará pronto ainda nas próximas semanas, é também um manifestação do cantor sobre si mesmo. “O reggae saiu da Jamaica para o restante do mundo como se fosse uma arma. Quando comparo isso com minha música, vejo que ela é apenas um estilingue. Daí o nome da obra”, explica.

Em seu show, marcado para começar às 20h, apresentará cinco canções inéditas que mostram sua percepção referente à vida em sua volta e também a experiência que acumula aos 60 anos. Uma delas será “Ten di Querê”, em que faz uma homenagem a anciãos. “Notei que as pessoas ‘do bem’ começam a ser referidas por ‘Sô’ quando ficam mais velhas. Esse é um título honorífico que representa como essas pessoas são respeitadas por terem praticado a vida de forma certa, sem estudo algum”, comenta.

Agenda

O quê. Festival FUROR

Quando. Amanhã, a partir das 12h

Onde. Mercado Distrital do Cruzeiro (rua Ouro Fino, 452, Cruzeiro)

Quanto. A partir de R$ 15. Ingressos disponíveis pelo site www.sympla.com.br

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