Soraya Hissa de Carvalho - Psicanalista

“Hoje a fantasia está longe. O que existe é uma realidade dura, que precisamos enfrentar”

iG Minas Gerais |

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O que acontece com o emocional das pessoas no fim de ano?

O episódio depressivo do fim de ano é uma “entidade nosológica”, um acontecimento que nós, médicos, já reconhecemos e tratamos no paciente. Não podemos hora nenhuma pensar que é piti de fim de ano. É um processo depressivo que normalmente passa. Se continuar por mais de dois meses sem intervalo, precisa ser tratado.

Por que isso acontece?

O Natal realmente marca porque traz recordações muito forte de família, de brincadeiras, de união, para quem teve esse privilégio. Os que não tiveram se sentem ainda mais sozinhos. Lembrança dos Natais que nós já tivemos que tinham todo mundo e existia a fantasia. Hoje a fantasia está longe da gente. O que existe é uma realidade dura, que precisamos enfrentar.

Essa correria frenética nas lojas e shoppings faz piorar esse sentimento?

As pessoas ficam piores. Nesta época, o transtorno da oniomania, que é a compulsão por compras, fica mais exacerbado. A pessoa compra, compra, compra e se pergunta se o outro vai ficar satisfeito. Na verdade, quem não está satisfeito é ela mesma. Quando passa o Natal, vêm as dívidas, e as pessoas repetem o comportamento nas liquidações, em busca de um pouco de prazer. Parece tentativa de preencher um vazio. De onde vem esse vazio?

Esses vazios vêm das frustrações ao longo do ano e da vida. Por não conseguir parar de fumar, não conseguir largar a droga, a bebida, não conseguir emagrecer. Não conseguir mudar de um trabalho que não te dá prazer. Na verdade, as compras compulsivas representam um desvio de prazer, da falta de alguma coisa. É preciso refletir, muitas vezes procurar um especialista em saúde mental para que a pessoa consiga passar o ano seguinte bem. Porque, senão, entra ano e sai ano, você só vai acumulando frustrações, porque não mudam ano nenhum. Então, o aconselhamento é: se não muda lá fora, mude você.

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