Música e memória pelas vozes do Galpão

Grupo visita repertório musical de espetáculos anteriores para compor trabalho mais despojado e ‘menos teatral’ da trupe

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Trabalho tem direção dividida entre Lydia del Picchia e Simone Ordones
Guto Muniz
Trabalho tem direção dividida entre Lydia del Picchia e Simone Ordones

Há uma semana, o Grupo Galpão estreou o espetáculo “De Tempo Somos”, que faz um apanhado das canções originais e arranjos criados para seus espetáculos ao longo de sua trajetória. A peça, com um formato “menos teatral”, tem direção de Lydia Del Picchia e Simone Ordones.

Para o público cativo que o Galpão conquistou na sua trajetória de 32 anos, o espetáculo pode ser uma faca de dois gumes: se por um lado, ele promove um resgate de memória passeando pelo repertório musical do grupo (é possível realmente ver pessoas na plateia cantando as músicas junto com os artistas), por outro, ele causa estranhamento por seu formato despojado (cenário mínimo, figurinos básicos que não remetem a nenhum personagem e coxias abertas).

Aí está o primeiro mérito do coletivo: apostar na força de sua obra, acumulada ao longo dos anos, para além de subterfúgios cênicos. Ainda assim, não se trata exatamente de um show, tanto é que o próprio subtítulo do trabalho diz “Um Sarau do Galpão”. O grupo não abre mão do teatro e lança mão de curtos interlúdios para amarrar canções. Também se dá “ao luxo” de abrir seu processo criativo ao transformar um exercício de ocupação de espaço (quase uma pedra filosofal em salas de teatro de qualquer natureza) em cena.

Fato é que, os atores do Galpão parecem ter gostado bastante de se libertar das amarras do teatro dramático. Eles estão soltíssimos em cena, com direito, a caras e bocas, aqui e ali. Sem os seus personagens, os homens e mulheres de teatro talhados pelo tempo aparecem.

E ver os artistas do Galpão envelhecendo e compartilhando sua história torna “De Tempos Sonhos” uma experiência quase obrigatória para o público de teatro.

Serviço. “De Tempo Somos”. Hoje, às 21, amanhã, às 18h e 21h, domingo, às 20h, no Galpão Cine Horto (rua Pitangui, 3.613, Horto). Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia-entrada)

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