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Seminário sobre redes e ferramentas sociais promove iniciativas que viabilizam a participação da sociedade; “Vou nesses lugares para me encontrar”, Gilberto Gil

iG Minas Gerais | RAFAEL MENDONÇA |

Encontro entre Gilberto Gil e Benki Ashaninka transformou o salão da Choque Cultural
Rafael Mendonça /Divulgação
Encontro entre Gilberto Gil e Benki Ashaninka transformou o salão da Choque Cultural
São Paulo. “O inventor da internet não patenteou porque achava que ela tinha que ser um bem público da  humanidade”, com essa frase de Ricardo Abramovay começava a se encerrar na manhã de quinta-feira (18) o Cidadania 2.0 – Primeiro Seminário de Imersão das Redes realizado no Farol na capital paulista desde segunda (15). O encontro foi uma espécie de reunião de algumas das cabeças mais atuantes e resolvidas no campo das ações diretas. São pessoas que constroem cisternas no nordeste, índios que conhecem todos os segredos da  florestas e as armadilhas dos corredores de Brasília, sem terra, jovens engajados e completamente competentes em seus feitos.    Helder Quiroga, coordenador da ONG Contato e uma das cabeças que criaram o seminário ressalta a importância de se reunir uma frete tão ampla nessa imersão. “O Cidadania 2.0 é uma iniciativa que conseguiu agregar mentes, propostas e anseios de diferentes partes do Brasil em prol de um pensamento único. Que é transformar a realidade do cotidiano da vida das pessoas as quais cada entidade faz parte e dialoga em busca de um Brasil mais justo e solidário”, afirma Helder.   E durante os quatro dias de discussões bons caminhos foram desenhados, algumas estradas de terra ganharam calçamento. O jornalista Fred Maia resume bem a importância do que ocorreu aqui: “Neste quatro dias de evento os participantes debatem experiencias exitosas de arquitetura e funcionamento dessas redes, com vistas ao fortalecimento da sociedade civil, na construção de politicas públicas e transformação da sociedade. Fica evidente à importancia desse encontro para as redes conectadas das sociedade, para a juventude e para os coletivos culturais, que vislumbram e lutam por um outro mundo possível”.   De sua forma, sensível e reflexiva, Gilberto Gil fala dessa forma de encontros, em que a palestra da lugar a uma troca de ideias e o clima se transforma: “Nos planos das microcosmologias, nas dimensão do pequeno, você precisa viver, tocar, falar e as vezes isso é mais importante que as grandes articulações. Rever amigos que tem uma história de articulção, militância. E o interesse comum por várias questõs do homem, da humanidade e da vida”.   O projeto "Saúde & Alegria" é outra entidade presente que faz um trabalho espetacular com seu barco/circo/hospital que atua em comunidades tradicionais na Amazônia "Para mim o encontro é uma oportunidade de conectar esta nossa rede com outras redes, percebendo demandas comuns e estratégias para renovar as energias em busca de enfrentar os desafios que temos hoje no pais, em que a juventude e as nossas formas de participacao em rede, tem papel protagonista. ", conta Fábio Pena, educador do projeto que esteve presente.   Redes tão diferentes entre si estiveram nestes dias encontrando seus pontos de intersecção. Com realidades tão diferentes entre si, suas experiências pessoais foram sendo “usadas” por todos para mostrar que, sim a solução do norte funciona no sudeste. Os desafios de se melhorar a vida das pessoas pode ser resolvidas pelas pessoas. Ainda se depende do Estado para se fazer a maquina andar, a cultura do mecenas ainda é muito pouco difundida entre nossa “generosa” elite econômica.    Juca Ferreira, secretário municipal de cultura do município de São Paulo e ex-ministro da cultura ressalta a inquietação que o país vive e como estão todos se movendo buscando as soluções para essas questões. “O Brasil está insastifeito com o Brasil, e essa insastifação está gerando uma fermentação intelectual e afetiva importante. E esses encontros ajudam a processar pontos de vista e sensibilidades diferentes buscando a superação dos impasses que a gente está vivendo”, explica Ferreira.   Gleyciane Teles, representante do Asa Brasil (Articulação no Semiárido Brasileiro), que reúne cerca de 3000 entidades nos nove estados do nordeste, norte de Minas e Espírito Santo e que entre tantas outras ações já construiu mais de 600 mil sisternas para que tanto necessitava, afirma: “Bem interessante as conversas e a quantidade de redes. Esse encontro fortalece a as ações para a juventude, ainda é muito sobre uma juventude urbana, por  mas isso vem mudando com o trabalho feito pelos Povos da Floresta, do MST e nós da ASA.     Ritual Xamânico Na tarde de quarta (17) um encontro entre Gilberto Gil e Benki Ashaninka transformou o salão da Choque Cultural em um trecho da floresta do Acre. Uma conversa que começa com a frase, “Eu não estou treinando discursos, eu treino alegria” proferida por um Gilberto Gil logo nos segundos iniciais de sua fala e complementada por um discurso de uma entidade que é Benki Ashaninka, colocou uma pleteia em um estado de transe - assista o vídeo aqui. Uma situação que acabou virando uma comversa e obviamente terminou em música com canções de Angola, da tribo Ashsninka e do próprio Gil retribuindo a bela canção entoada pela angolana Aline Frazão e devolvendo com o clássico “É luxo só”. E o sentimento final de tudo que aconteceu nesses dias foi bem esse mesmo, essa coisa de “essa mulata quando dança é luxo só”.     

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