Prefeito de Guarapari diz que turista pobre não é bem-vindo

Uma das metas do político é elevar gasto per capita de viajantes de R$ 86 para R$ 200 por dia

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Mineiros são os principais visitantes da cidade capixaba
sagrilo/secretaria de turismo do es
Mineiros são os principais visitantes da cidade capixaba

Destino certo para milhares de mineiros que escolhem o Espírito Santo para aproveitar as praias todos os anos – foram 300 mil em 2013 –, uma das cidades mais procuradas pelos turistas, Guarapari pode ter novas “normas” para a entrada dos visitantes. Em entrevista à rádio CBN Vitória, nesta quarta, o prefeito Orly Gomes (DEM) disse que quer limitar o número de pessoas em casas de veraneio e receber turistas que gastem R$ 200 por dia.

“Precisamos de pessoas que venham com dinheiro para gastar e, assim, justificar os investimentos na cidade. Seria melhor ter 100 mil turistas com melhor poder aquisitivo, que frequentassem restaurantes, bares e ocupassem hotéis, que gerassem renda para a cidade, que gastassem R$ 200 por dia”, disse. Com a expectativa de que entre o feriado de Natal e o Carnaval do próximo ano mais de 1 milhão de turistas passem por Guarapari, o prefeito propôs a adoção de regras para evitar a superlotação da cidade. “Pretendemos normatizar as casas de veraneio, assim elas gerarão impostos. O excesso de pessoas em uma única casa é o que causa transtorno, como a falta de água. As casas terão que ter alvarás e serão fiscalizadas pelos bombeiros. A metragem quadrada terá que determinar o número de pessoas. A criação de uma microempresa seria uma das possibilidades, assim as casas pagariam impostos”, explicou. As medidas ainda não valem para 2015. Turista. O blogueiro Rafael Câmara, 29, visita pelo menos uma vez por ano Guarapari e reconhece que a cidade já não tem suportado quase 1 milhão de pessoas em algumas épocas do ano. Porém, ele não concorda com algumas exigências do gestor. “Ele quer gente para gastar cerca de R$ 200 por dia, mas isso é quase o que é exigido para entrar na Europa – cerca de € 60 por dia (R$ 190). É completamente fora da realidade”, afirma. Mesmo economizando na hospedagem por ficar em um imóvel da família, Câmara diz que o destino não é dos mais baratos. “Não é uma cidade muito barata. Em um dia de praia, é possível gastar tranquilamente R$ 80, fora os outros gastos”, conta. Na avaliação do empresário Leonardo Diniz Silveira, 50, que também tem apartamento na cidade, as mudanças no perfil do turista “ideal” desejado pelo prefeito já estão sendo percebidas. “A cidade passou por muitas obras nos últimos anos. Os quiosques que eram antigos e ultrapassados foram derrubados, e a praia foi modernizada. A cidade em si deu uma boa melhorada e, automaticamente, melhorou o turismo”, diz. No entanto, Silveira também reconhece que ainda é preciso investir mais. “A cidade tem que atender todo tipo de público. Ele (prefeito) teria que se preparar para esses momentos de maior movimento porque falta água com frequência. E, de alguns anos para cá, alguns turistas têm preferido ir para outras regiões, como o Nordeste. Ele tem que agradecer ao turista que está movimentado a cidade, pois, mesmo comprando em supermercado, significa que gastei”, diz.

Resposta Guarapari. De acordo com a assessoria de imprensa da cidade, o prefeito não poderia atender a reportagem. O TEMPO procurou o secretário de Turismo, Adriani Serpa, sem sucesso.

Visitantes criticam falta de infraestrutura e de segurança O prefeito da cidade, Orly Gomes, também disse que a cobrança de taxas para os ônibus de turismo está entre as medidas que podem ser adotadas para receber um turista com maior poder de consumo. No entanto, Guarapari ainda deixa a desejar em alguns aspectos, como infraestrutura, segurança e opções de lazer. De acordo com o último levantamento feito pela Secretaria de Turismo do Espírito Santo, na avaliação de 807 turistas, para apenas 34,10% nada faltou ao destino escolhido durante o período de estadia na alta temporada de 2013. Enquanto 20,60% criticaram a falta de infraestrutura para atender o turista, 13,50% sentiram falta de mais opções de lazer e 8,60% esperavam mais segurança.

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