Longa abusa do pior do humor de banheiro

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Elenco do longa é desperdiçado em trama sem graça e repetitiva
Paris
Elenco do longa é desperdiçado em trama sem graça e repetitiva

Alerta de spoiler: se você for a uma festa de réveillon neste ano e decidir passar a maior parte do tempo no banheiro porque é ali que as coisas mais interessantes estão acontecendo, você escolheu a festa errada. Ainda assim, essa não é uma premissa totalmente equivocada para uma comédia – “Friends” construiu uma tradição de episódios geniais em torno de Natais e Dias de Ação de Graça horríveis. Pena que “A Noite da Virada”, que estreia hoje, não tenha a mesma competência.

Adaptado da peça “O Banheiro”, de Pedro Vicente, o filme acompanha a festa da virada de Ana (Julia Rabello), que é informada pelo marido loser Duda (Paulo Tiefenthaler), minutos antes de os hóspedes chegarem, de que ele vai deixá-la. Entre os convidados, estão a irmã a perigo de Ana, Sofia (Martha Nowill), e os casais Mário e Rosa (Marcos Palmeira e Luana Piovani), vizinhos da protagonista; e Alê e Rica (Luana Martal e João Vicente de Castro), que querem transar sete vezes antes de meia-noite, já que não poderão pular sete ondas.

Todas essas histórias se desenrolam no banheiro e, no teatro, a dinâmica dos personagens entrando e saindo o tempo inteiro devia criar uma energia e um ritmo que não funcionam no filme. O diretor Fábio Mendonça abusa de closes e planos fechados para ressaltar a claustrofobia dos personagens ali dentro, mas em nenhum momento ele consegue esconder as origens cênicas do material.

Mas o pior pecado de “A Noite da Virada” é que ele simplesmente não é engraçado. Pode ser até divertido passar uma festa inteira escutando conversas e dramas alheias ou preso nos seus próprios dramas no banheiro, ou ficar chapado e causar uma confusão na festa de réveillon alheia. Mas meramente observar os outros fazendo isso não é.

É necessário surpreender, suar, burilar o material. E o longa não se dá a esse trabalho – investido, pelo contrário, no lado mais pejorativo do “humor de banheiro”. Cinco minutos de uma série como “The Big Bang Theory” ou “Modern Family” têm mais piadas que todo o roteiro de “A Noite da Virada”. O filme desperdiça a possível morte acidental de um traficante (Taumaturgo Ferreira), revelando seu desfecho na primeira cena, e não sabe nem extrair o humor de um personagem almofadinha que toma êxtase sem querer. E sem nada com o que trabalhar, nem Marcos Palmeira consegue se salvar.

O resultado de tudo isso é que o espectador nunca chega a se importar muito com os personagens ou o que acontece com eles. Ano novo é simbolismo de vida nova e mudanças, mas se “A Noite da Virada” é um sinal, as comédias do cinema brasileiro vão continuar com a mesma preguiça. (DO)

Outras estreias

Os fãs da romancista Patricia Highsmith (responsável por “O Talentoso Ripley” e “Pacto Sinistro”) têm a chance de conferir mais uma obra da mestre do suspense no cinema com “As Duas Faces de Janeiro”. A adaptação é de Hossein Amini, que estreia na direção de longas após escrever roteiros como “Drive”.

E já se preparando para o fim de ano, os cinemas são inundados por pré-estreias dos blockbusters que vão chegar às salas nos feriados. Os destaques são a animação “Operação Big Hero 6” e o épico “Êxodo: Deuses e Heróis”. E para quem quer fugir das megaproduções, “Mommy”, do canadense Xavier Dolan, continua em pré no Belas.

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