Acordo taxado de ‘bolivariano’

Termo de cooperação entre países sul-americanos pretende criar escola de defesa e unidade eleitoral

iG Minas Gerais | Guilherme Reis |

Jair Bolsonaro diz que acordo vai perpetuar a esquerda no poder
Zeca Ribeiro_
Jair Bolsonaro diz que acordo vai perpetuar a esquerda no poder

A criação de uma unidade técnica de coordenação eleitoral e da Escola Sul-Americana de Defesa na nona cúpula da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) já gera controvérsias na oposição e nas redes sociais. O acordo de cooperação continental é visto como um “golpe bolivariano”.  

A iniciativa foi oficializada no último dia 5, em Quito, Equador, quando os presidentes dos 12 países sul-americanos se reuniram para discutir os rumos da região. A unidade técnica de coordenação eleitoral concentraria as atividades na observação dos pleitos realizados no continente com o objetivo de criar um padrão único de análise das eleições. Em relação à Escola de Defesa, a meta é constituir um centro de estudos para formação de civis e militares e trocar experiências no que diz respeito à defesa nacional. O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) acredita que as ações são estratégias adotadas pela esquerda na América do Sul para transformar o continente em um único país. “A ideia é fazer com que as eleições em todos os países sejam eletrônicas como no Brasil. É uma forma de fraude eleitoral. Assim a esquerda nunca sairá do poder. Eu fiz campanha no Rio e em São Paulo. Ninguém disse que votaria no PT, mas ele ganhou a eleição. Como é possível?”, questiona. Bolsonaro entende que a Escola de Defesa pode levar à doutrinação política e dissolver qualquer tipo de fronteira entre os continentes, o que acentuaria a presença de políticos de esquerda e facilitaria a entrada de drogas no Brasil. “Esse acordo visa doutrinar jovens com as teorias marxistas, leninistas e bolivarianas. Teremos um Estado único com um espaço aéreo único. Pessoas de qualquer país poderão entrar no Brasil para espalhar as ideias comunistas. Além disso, o tráfico de drogas e armas será facilitado”, acredita Bolsonaro. A cooperação entre as nações da região provocaram repúdio de alguns usuários do Facebook, em que são registrados pedidos de intervenção militar. “E depois reclamam dos favoráveis à intervenção militar! Sou favorável desde que se risque o PT do mapa, que fechem o Congresso, prendam os corruptos e corruptores, fechem as fronteiras para o narcotráfico e a entrada de armas”, defende um perfil que apoia a intervenção militar. Devido ao acordo que trata da defesa, alguns usuários chegam a duvidar das Forças Armadas. “Ainda acreditam que o exército fará alguma coisa por nós? Já foram cooptados pelo PT. Do contrário não teriam deixado que as coisas chegassem a este ponto”, aponta outro apoiador. Deputado federal e membro do Parlamento do Mercosul (Parlasul) João Ananias (PCdoB-CE) afirma que a integração do continente é importante e refuta as teses de tratado bolivariano. “As pessoas nem sabem quem foi Simon Bolívar. Ele queria a união dos países sul-americanos e a paz. A Unasul visa criar condições de ajuda mútua. Eu sou marxista, mas não existe isso de doutrinação. Nunca proporia uma coisa dessas”, ressalta. 

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