Grupo invoca 11 de Setembro

Hackers ameaçam empresa para impedir estreia de comédia sobre assassinato do líder da Coreia do Norte

iG Minas Gerais |

Dupla. James Franco e Seth Rogen, protagonistas da comédia que está no centro da polêmica, cancelaram suas aparições públicas
[CREDITO]Cindy Ord/afp
Dupla. James Franco e Seth Rogen, protagonistas da comédia que está no centro da polêmica, cancelaram suas aparições públicas

Los Angeles, EUA. Os hackers que atacaram a base de dados da Sony Pictures invocaram na terça-feira os atentados de 11 de setembro de 2001 em sua última ameaça ao grupo para evitar a estreia, no Natal, de uma comédia sobre o assassinato do líder norte-coreano. A advertência ocorre horas após vários ex-funcionários da Sony denunciarem o grupo por não proteger informação confidencial de seus trabalhadores. O autodenominado grupo GOP ou Guardiões da Paz (Guardians of Peace), que reivindica o ciberataque perpetrado no dia 24 de novembro, emitiu um comunicado sobre o início de uma nova onda de vazamentos, que inclui e-mails do presidente da Sony Pictures, Michael Lynton, como um “presente de Natal”. “Este presente os fará muito felizes e colocará a Sony em uma má situação”, diz a mensagem. “Mostraremos claramente que os locais de exibição de ‘The Interview’ (A Entrevista) no dia da estreia terão um destino amargo...”. “O mundo verá em breve que filme ruim fez a Sony Pictures. O mundo estará repleto de medo. Lembrem-se do 11 de setembro de 2001. Recomendamos que fiquem longe dos cinemas”. A porta-voz do departamento de Estado Jen Psaki assinalou que as autoridades desconhecem a procedência das advertências, e lembrou que o filme “não é um documentário sobre a relação” entre Washington e Pyongyang. “Não sabemos qual é a fonte (destas ameaças), mas é importante destacar que não há informação crível para apoiá-las”, disse Psaki à rede de televisão CNN. <CS9>Por precaução, os protagonistas de “The Interview”, James Franco e Seth Rogen, cancelaram suas aparições públicas, revelaram seus agentes ao canal ABC. Ataque. A Sony foi vítima de um ataque a seus servidores no dia 24 de novembro, realizado pelo GOP, que gradualmente foi vazando mensagens dos diretores dos estúdios e outros dados confidenciais. A presidente da companhia, Amy Pascal, foi uma das mais prejudicadas pelo vazamento dos e-mails, tendo que pedir desculpas, na semana passada, ao presidente Barack Obama. Em uma troca de mensagens com o produtor Scott Rudin, Pascal escreve se deve perguntar a Obama sobre os filmes “Django Livre”, “12 Anos de escravidão” e “O Mordomo da Casa Branca”, todos eles sobre a questão racial nos Estados Unidos. Nos e-mails, Rudin também fez ataques à atriz Angelina Jolie. A imprensa norte-americana informou que os hackers conseguiram roubar o roteiro do próximo filme de James Bond, protagonizado por Daniel Craig e dirigido por Sam Mendes, cuja filmagem terá início em breve. De acordo com diversas fontes, todos os ataques estariam relacionados à estreia de “A Entrevista”. Denúncia. Na segunda-feira, ex-funcionários da Sony denunciaram os estúdios cinematográficos por não protegerem informações confidenciais do seu pessoal. A denúncia, apresentada a um tribunal de Los Angeles, alega que a “Sony fracassou na hora de garantir e proteger seus sistemas informáticos, assim como sua base de dados, o que a levou à difusão de informação confidencial dos demandantes e outros companheiros”. É “um pesadelo épico que mais corresponde a um thriller do que à vida real, e que se desenrola em câmera lenta para os funcionários atuais e antigos da Sony”, diz a denúncia, de 45 páginas. “Informações confidenciais, como os cerca de 47 mil números de identificação de segurança social, expedientes de empregados incluindo salário e histórico médico e qualquer outro dado da Sony se tornaram públicos e poderão estar nas mãos de criminosos”, continua o documento. “Devido ao fracasso da Sony em proteger dados confidenciais de seus funcionários atuais e antigos, este conteúdo está agora na internet, o que pode significar uma situação perigosa para essas pessoas”, descreve a ação.

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