Junkie Dogs lança álbum de estreia com seu trip rock

iG Minas Gerais | fábio corrêa |


Transgressão e visceralidade são marcas da banda mineira
RENATO SARIEDDINE ARAUJO
Transgressão e visceralidade são marcas da banda mineira

Ir além do sujeito, dando luz a formas tão diferentes entre si que, no fim, formam um mosaico único: a personalidade. Seguindo tal preceito, os cinco integrantes do The Junkie Dogs transgrediram a própria essência da banda em projetos paralelos tão diversos que, no fim, garantiram o amadurecimento artístico. Entre eles, somam-se vivências no coletivo e bloco carnavalesco Alcova Libertina, a coleção de seis livros de poesia intitulada “Vagabundos Iluminados”, além de trabalhos com pintura e fotografia.

“Você não pode pegar leve com você mesmo, tem que transgredir”, reflete o vocalista, Rafael Ludicanti. “Senão, você acaba cedendo a tendências estéticas que são superficiais – e queremos nos aprofundar”. E, no fundo dessa piscina, Ludicanti encontrou o lado mais puro do rock ‘n’ roll: o sórdido, o visceral, a contestação. Todas essas qualidades se encontram nas 13 faixas que compõem o primeiro álbum da banda, homônimo, a ser lançado hoje à noite, em Belo Horizonte, no Studio Bar.

Criada nos idos de 2006, a banda começou a gravar o seu primeiro trabalho em 2008. De lá para cá, esse percurso sonoro foi sendo captado em armários e salas nas casas dos integrantes, e em estúdios em São Paulo e Belo Horizonte. “Sempre interrompíamos a gravação para que o disco amadurecesse”, conta Ludicanti, que assina a produção e todas as músicas do álbum.

As letras, em inglês (com exceção de “Toxic Glue”, em francês), são influenciadas por escritores como Rimbaud, Baudelaire, pelo movimento beatnik e por músicos como Kurt Cobain e Iggy Pop. “Sexualidade, drogas, solidão, rebeldia, tudo isso está nas músicas. São temas caros ao rock”, explica Ludicanti. “O estilo é muito sedutor por tudo que o liga ao mistério, à rebeldia e à liberdade”, diz.

Na maneira de tocar e cantar, ele se diz inspirado pelo som de bandas das décadas de 1960 e 1970, como The Doors, Stones e Led Zeppelin. Mas não é só nos clássicos do rock que o som do Junkie Dogs se baseia. A introspecção de artistas da estirpe do trip hop, como Massive Attack e Portishead, também é uma forte influência. “O trip hop tem aquele momento de recolhimento, uma fragilidade”, conta o vocalista, que criou uma alcunha para definir o som da banda: “trip rock”.

Show. Por causa de uma proximidade tanto musical quanto afetiva, o show de hoje terá a abertura do duo de trip hop Teach Me Tiger, que contará com a participação de Victor Magalhães, integrante do Iconili. “Eles têm um som extremamente delicado e também buscam, como o Junkie Dogs, sonoridades diferentes”, diz Ludicanti, ressaltando que também é amigo dos integrantes do duo.

As 13 músicas do novo álbum irão integrar o setlist do show de estreia do Junkie Dogs. Além de Ludicanti (vocal e guitarra), Bruno Leal (guitarra), Marcos Braccini (baixo), Marcos Sarieddine (teclados) e Flávio Freitas (bateria) completam a formação. Será uma boa oportunidade para ouvir algumas músicas que nunca foram tocadas ao vivo, pela dificuldade de serem reproduzidas como no disco.

O álbum, inclusive, está disponível na íntegra em: www.soundcloud.com/thejunkiedogs.

Agenda

O QUÊ.  The Junkie Dogs - lançamento do primeiro disco, com abertura do Teach Me Tiger Hoje, às 21h

ONDE. Studio Bar (rua Guajajaras, 842, centro)

QUANTO. R$ 20

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