Tesouro da mineiridade

Filmado em cidades históricas e com trama infantojuvenil, “O Segredo dos Diamantes” estreia nesta quinta (18)

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Os estreantes atores-mirins Alberto Gouvêa, Matheus Abreu e Rachel Pimentel
Divulgação
Os estreantes atores-mirins Alberto Gouvêa, Matheus Abreu e Rachel Pimentel

Foi longa a jornada até que “O Segredo dos Diamantes” pudesse chegar ao público. As filmagens aconteceram em 2012, dois anos antes de seus três protagonistas finalmente partirem em busca de um tesouro nas telas de todo o país. E apesar de a produção se encontrar finalizada desde janeiro, ela só estreia oficialmente nesta quinta-feira (18).

“O filme teve duas demoras”, confessa o diretor Helvécio Ratton. A primeira delas foram os efeitos especiais, envolvendo um acidente de carro nos minutos iniciais e um helicóptero filmado em 3D, que levaram cerca de cinco meses para serem finalizados. “Além desses, o longa tem efeitos pequenos o tempo inteiro, nas telinhas dos smartphones, no céu que muda”, ele explica.

Já a outra demora, bem mais complicada, foi de cunho econômico. “O pior de tudo foi ter a Copa do Mundo em julho. Não quis lançar o filme na época porque ia ser um atropelo danado”, revela. Segundo o cineasta, “O Segredo dos Diamantes” até poderia ter saído em setembro, inclusive em mais salas do que conseguiu agora. Mas realmente não faria sentido lançar o longa fora do período de férias escolares.

A produção sobre o garoto Ângelo (o estreante Matheus Abreu) – que parte com dois amigos e um mapa tricentenário em busca de diamantes perdidos que podem pagar pela cirurgia do pai após um acidente de carro deixá-lo em coma – é uma aventura infantojuvenil, com a pegada rápida e sem muitas firulas de Ratton. “Minha disposição é a seguinte: não vamos ser a primeira nem a segunda opção. Mas quem sabe seremos a terceira? Ou a primeira daquela família para quem um filme com conteúdo brasileiro é importante?”, afirma o diretor, sem meias-verdades, ciente de que seu longa vai competir com produções como o último “O Hobbit” e “Operação Big Hero”, da Disney.

Mais que esse conteúdo “brasileiro”, porém, o verdadeiro tesouro de “O Segredo dos Diamantes” é a mineiridade típica e autêntica dos trabalhos do diretor. A história começa com uma conversa sobre lombo com tropeiro, segue para uma temporada na casa da vó no interior, com direito a mesa cheia de café da manhã, segue pelas ruas e pela opulência de uma igreja de cidade histórica e conta até com uma cena à beira de um fogão de lenha. O filme tem o cheiro daquela Minas romântica, e o que ele oferece é uma jornada irresistível para locais e “estrangeiros”.

Veja onde "O Segredo dos Diamantes" está passando, clique aqui   “O longa é uma caça ao tesouro, e uma cidade histórica é o cenário orgânico para isso, porque elas se formaram em torno dessa corrida pelo ouro”, argumenta Ratton. A cidade em questão foi, na verdade, um misto de locações, mas a principal delas é o Serro, que o cineasta conheceu durante as filmagens de seu longa anterior, o documentário “O Mineiro e o Queijo”.

“Minha opção inicial era Diamantina, mas já se filmou demais lá. Eu mesmo filmei muito. O Serro era uma cidade mais virgem”, conta o diretor. Além dela, a produção utilizou locações em Milho Verde, uma cachoeira em São Gonçalo e a casa da avó do protagonista só foi encontrada em Guanhães. Já o interior da igreja foi filmado em Sabará. “Quando estávamos no Serro, a igreja estava sendo reformada. E eu queria uma sacristia bem bonita, uma catedral daquelas toda pintada de ouro, não para localizar geograficamente, mas para causar uma impressão. Para entrar numa máquina do tempo, como falam no filme”, explica Ratton.

Outro elemento que acentua o sotaque local do longa é que, apesar de mais de 600 crianças de todo o país terem sido testadas, os três estreantes que formam o jovem elenco de protagonistas são todos mineiros. Rachel Pimentel traz a inocência de Júlia, Alberto Gouvea oferece um respiro cômico com seu Carlinhos, e Matheus Abreu empresta seu olhar melancólico a Ângelo. Matheus, por sinal, não passou desapercebido. Logo após a estreia do filme no festival de Gramado, onde ganhou o prêmio do público, ele foi convidado para viver a versão jovem do personagem de Cauã Reymond em “Dois Irmãos”, próxima minissérie de Luiz Fernando Carvalho para a Globo.

“O personagem do Ângelo era mais novo, na verdade, e eu adaptei devido ao talento do Matheus. Mas quando você encontra um diamante raro desses, é assim: ele logo troca de mão”, brinca o diretor, que já lançou nomes como “o menino maluquinho” Samuel Costa para a fama. Completando o elenco, estão nomes como Dira Paes, a última performance de Manoelita Lustosa nas telas e Rui Resende, grande destaque do filme como o vilão Silvério. “O Rui é um ator meio shakespeariano. Curto o jeito clássico dele de atuar. Tinha umas sequências que exigiram muito fisicamente, e ele foi muito generoso, ajudou muito os meninos”, considera Ratton, que já havia trabalhado com o ator em “Amor & Cia”.

Além deles, o filme conta com uma série de pequenas participações de nomes conhecidos para quem frequenta o teatro mineiro. Mais uma prova de que o Estado é o grande tesouro da produção. “Não é obrigação, é prazer. Estou fazendo um filme aqui. Se você vir um longa na praia com todo mundo falando ‘xis’, o diretor está vendendo o Rio?”, conclui o cineasta.

  Assista ao trailer de "O Segredo dos Diamantes":

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave