“Eu preciso ser investigada”

Graça Foster chegou a entregar o cargo e diz que permanece enquanto houver confiança de Dilma

iG Minas Gerais |

Cereja. 

Graça diz não ter “receio” de ser investigada e que estatal é mais importante que seu emprego
WILTON JUNIOR
Cereja. Graça diz não ter “receio” de ser investigada e que estatal é mais importante que seu emprego

Rio de Janeiro. A presidente da Petrobras, Graça Foster, confirmou nesta quarta que colocou seu cargo e de toda a diretoria à disposição da presidente Dilma Rousseff. Segundo ela, a decisão foi tomada diante do risco de que a permanência da diretoria inviabilizasse a aprovação do balanço da estatal, que pode não ficar pronto em janeiro. Durante um café da manhã com jornalistas, Graça defendeu que ela e a diretoria atual sejam investigadas em razão dos desdobramentos da operação Lava Jato e disse não ter “receio da verdade”.  

Graça afirmou ainda que as investigações Lava Jato, que apuram esquema de desvios de recurso público, parte envolvendo contratos da estatal, indicaram a necessidade de “uma sinalização positiva de que a diretoria está em condições, do ponto de vista de sua governança, de assinar o balanço”.

“Eu preciso ser investigada, os diretores, nós precisamos ser investigados. E para isso precisamos das auditorias internas. Eles chegam, entram na sua sala, abrem seus armários, pegam seus papéis, computadores. E isso é bom”, afirmou Graça.

A pressão para que Graça Foster deixe o comando da estatal aumentou após a revelação de que ela teria sido informada sobre irregularidades antes de virem à tona as investigações da operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Segundo Graça, a diretoria da estatal permanece “enquanto contar com a confiança da presidente e ela entender que devo ficar”. Graça afirmou que conversou com Dilma “uma, duas, três vezes”, mas que uma definição “é ela quem tem que falar”.

“A coisa mais importante para a diretoria é a Petrobras, muito mais importante que o meu emprego. Temos discutido isso no conselho também, essa é a motivação de se discutir a conveniência de nossa permanência em função do balanço”, disse a executiva.

Segundo a executiva, a não apresentação do balanço não foi uma imposição da auditoria externa, PriceWaterhouse Coopers (PWC). “Nós não estávamos prontos”, afirmou. “Os resultados das investigações tornaram evidente que nós precisamos fazer baixa no patrimônio líquido da companhia”, explicou.

Investigação. A presidente da estatal afirmou estar “absolutamente confortável” para responder às investigações da operação Lava Jato.

A executiva foi questionada se já tinha indícios de irregularidades na empresa quando assumiu a presidência, em abril de 2012. Pouco meses depois, Graça demitiu o ex-diretor de abastecimento, Paulo Roberto Costa, e também Renato Duque, ex-diretor de Serviços, e Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional. “Sabia o que me incomodava. São estilos de gestão diferentes. Não me metia no que estava sendo feito”, afirmou a executiva. Segundo ela, a diretoria atual trabalha com “intromissão muito grande”.

Força-tarefa vai colaborar com os EUA Curitiba. A força-tarefa da operação Lava Jato, que apura o esquema de desvios envolvendo contratos da Petrobrás, vai colaborar com as investigações da Securities and Exchange Commission (SEC), órgão que fiscaliza o mercado de capitais americano. A pedido da SEC, procuradores viajarão aos Estados Unidos em janeiro para levar informações sobre os inquéritos e ações penais abertos no Brasil. Os investigadores também vão buscar dados sobre o dinheiro movimentado pelos envolvidos.

Defesa O ministro de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, afirmou nesta quarta, em entrevista coletiva no Palácio do Planalto que o governo tem “total confiança” na gestão da atual presidente da Petrobras, Graça Foster. O ministro também defendeu a diretoria da estatal. “Queria manifestar em nome do governo total confiança na gestão da presidente Graça Foster e da sua diretoria. Nós entendemos que o enfrentamento dos assuntos da Petrobras têm sido conduzidos com zelo”, disse.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave