Funcionária alertou donos de academia de que cachorra "jorrava sangue"

Ela foi demitida após a repercussão do caso e contou que a cachorra Anilha, encontrada morta no local, estava com feridas há algumas semanas, mas os responsáveis ignoravam

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

Fotos tiradas pela funcionária da academia quando a cadela ainda estava viva, para mostrar aos responsáveis que ela precisava de tratamento
Thiene Melo
Fotos tiradas pela funcionária da academia quando a cadela ainda estava viva, para mostrar aos responsáveis que ela precisava de tratamento

A recepcionista da academia Alta Energia unidade Pampulha, localizada no bairro Castelo, foi demitida após postar fotos da cachorra Anilha no Facebook, quando ela estava coberta de ferimentos e não estava sendo tratada, e também de quando ela foi encontrada morta.

O caso ganhou repercussão com a disseminação das imagens na rede, e causou indignação entre os usuários. Tanto que no próximo sábado (19) uma manifestação está marcada para acontecer na frente da academia às 10h, e já conta com mais de 300 pessoas confirmadas no evento intitulado “Manifestação crueldade nunca mais” no Facebook.

Thiene Melo, a recepcionista, conta que depois da repercussão do caso chegou ao local para trabalhar e foi impedida de entrar. “Me entregaram o papel da demissão e não falaram um A sobre o assunto comigo”, disse.

“A cachorra já estava com essas feridas há algum tempo e ninguém fazia nada. No dia 4 de dezembro ela foi levada ao veterinário, e voltou de banho tomado e com a receita dos medicamentos que deveria tomar, mas os remédios chegaram tarde demais. Somente na terça-feira do dia 9, data em que ela foi encontrada morta, é que trouxeram os remédios. No dia 8 os funcionários que estavam lá chegaram a ligar para a gerente, dizendo que a cachorra estava jorrando sangue. E nada foi feito”, contou a mulher.

Ela também relata que tanto Anilha como a outra cachorra que vivia no mesmo ambiente estavam com essas feridas abertas há semanas. “Mas depois disso tudo eles estão tratando bem da outra cachorra agora, que também estava com as mesmas feridas que a Anilha”.

“Quando fui tirar satisfações com a gerente sobre a morte da cachorra - que poderia ter sido evitada -, ela disse que não iria discutir comigo porque a cachorra já tinha morrido”, disse ainda.

Sobre a demissão da funcionária, a diretora administrativa da empresa, Cláudia Carvalho, disse nada teve a ver com o ocorrido. Ela também disse que a academia não teve culpa na morte do animal. “A gente tem a consciência de que não fez nada errado. Somos uma empresa que gosta de animais, nossos animais são muito bem cuidados. Ficamos tristes com a morte da cachorra, mas a gente ainda nem teve tempo de sentir o luto por conta dessa repercussão toda”, disse.

A causa da morte da cadela não foi divulgada pela empresa. No entanto, a assessoria da academia enviou o laudo da veterinária expedido nessa terça-feira (16), onde consta que o animal foi diagnosticado no dia 4 de dezembro com miíase e que foram prescritas medicações e realizada a limpeza no local do ferimento.

No verso do documento, a veterinária escreveu uma observação, onde diz que acredita que a morte da Anilha não tenha sido causada pelo ferimento no cotovelo, mas não determina o que teria causado sua morte.

“Não tem outra explicação. Não tem explicação deixar um animal sangrar até a morte, sem remédio, sem tratamento. O corpo da Anilha foi enterrado na academia. Se for o caso, a gente desenterra a cachorra para fazer uma necrópsia para provar o que aconteceu”, desabafa Thiene.

Sobre a demissão sem justa causa, Thiene afirma que a prioridade agora é denunciar o caso da cachorra para que haja uma punição para os culpados. "Ainda nem tive tempo de olhar isso, mas foi uma demissão sem justa causa. Pretendo correr atrás dos meus direitos sim, mas primeiro vou atrás desse caso até resolver", disse.

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