Ao lançar candidatura, Chinaglia tenta se descolar do Planalto

Numa tentativa de se contrapor à principal bandeira do peemedebista, que é retomar a autonomia da Casa, o petista Arlindo Chinaglia, disparou falas sustentando que é dever do comando da Câmara ter independência

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

GUSTAVO LIMA/AG CÂMARA/3.8.2011
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Ao lançar seu nome para a disputa pela Presidência da Câmara a partir de 2015, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) tentou se descolar do rótulo de "candidatura palaciana" e ainda pregou um pacto de boa convivência com o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apontado como favorito na briga pelo cargo.

Numa tentativa de se contrapor à principal bandeira do peemedebista, que é retomar a autonomia da Casa, o petista, que se considera um "azarão" na corrida, disparou falas sustentando que é dever do comando da Câmara ter independência.

"O presidente da Câmara, para ser bom, sempre vai ter resistência de outros Poderes", disse Chinaglia. "[Independência] não é algo que vá além de cumprir a obrigação", completou.

A declaração, no entanto, serve como arsenal para Cunha, que não conta com aval do Palácio do Planalto. O peemedebista é considerado "um governista com estilo oposicionista" por causar problemas ao governo no Congresso.

O candidato do PT negou que a avaliação de independência em relação também ao Judiciário seja um recado aos colegas, diante da expectativa de que a Casa terá que julgar no ano que vem dezenas de parlamentares que podem ser denunciados por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras.

No discurso, o petista disse que está costurando uma plataforma de campanha, mas evitou lançar promessas corporativistas. Ele defendeu que a Casa crie uma pauta nacional, com a discussão de uma agenda temática.

Apoio

Apesar de o PT ter anunciado o apoio do PDT a Chinaglia, a bancada não compareceu ao evento e ainda discute se fechará com ele ou apresentará candidatura própria.

PROS e PCdoB fecharam aliança com o deputado petista. O candidato disse estar costurando entendimento com dez partidos.

Em reação à movimentação de Chinaglia, Cunha deve receber nesta quarta, apoio do DEM e do PTB. O peemedebista já conta com Solidariedade e PSC, siglas oposicionistas, como apoios.

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