Jornalista assume o Bahia e será o mais jovem presidente

Marcelo Sant'Ana tomará posse do cargo nesta quarta-feira, às 20h, na Arena Fonte Nova

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

O novo presidente terá que conduzir o Bahia de volta à primeira divisão, e promete mudanças na diretoria logo quando assumir
Divulgação/ Bahia
O novo presidente terá que conduzir o Bahia de volta à primeira divisão, e promete mudanças na diretoria logo quando assumir

Para tentar voltar à elite do futebol nacional, o Bahia, rebaixado nesta temporada, terá o presidente mais jovem entre os 40 clubes que disputarão as Séries A e B do Campeonato Brasileiro em 2015. Com apenas 33 anos, completados em novembro deste ano, o jornalista Marcelo Sant'Ana foi eleito na última semana pelos associados do clube com mais de 40% dos votos, em eleição com seis candidatos e realizando uma campanha que durou exatos 32 dias. Ele tomará posse do cargo nesta quarta-feira (17), às 20h (horário de Brasília), na Fonte Nova.

"Ouvi algumas críticas, algo como ele é muito jovem para ser presidente. Mas é engraçado porque todos pedem mudança no futebol brasileiro, e quando aparece uma alternativa, que pode ser a mudança, as pessoas continuam criticando", disse Sant'Ana.

Cinco meses atrás, Sant'Ana era um dos jornalistas na tribuna de imprensa do estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, e acompanhou de perto a pior derrota da história da seleção brasileira, o 7 a 1 para a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo.

Fazia o trabalho para a Rede Bahia, que detém concessões de televisão (afiliadas da TV Globo), rádio e o jornal Correio, um dos principais do Estado e para o qual Sant'Ana escrevia uma coluna sobre futebol.

"Nela eu fazia críticas à atual administração do Bahia e dava algumas sugestões. Nunca quis me envolver com a política do clube, porque não achava ético, já que trabalhava no jornal. Mas algumas pessoas que pretendiam lançar candidato à presidência me perguntaram se eu não toparia, já que na minha coluna dava sugestões de gestão e marketing", disse o jornalista.

A possibilidade de trabalhar no clube de coração já havia surgido no início de 2014, quando o responsável pelo Departamento de Competições da CBF, o também baiano Virgílio Elíseo, comentou que poderia sair candidato. Sant'Ana foi informalmente convidado para ser o diretor de comunicações, mas a conversa parou ali.

Elíseo ficou doente, o que o afastou até de suas funções na CBF, e o assunto trabalhar no Bahia ficou esquecido até o contato com representantes do Grupo Renovação Tricolor.

O grupo pretendia lançar um candidato para combater principalmente Antônio Tillemont, 53, que por muitos anos trabalhou como agente de atletas e era o favorito a assumir o cargo de presidente do Bahia na eleição de dezembro.

"Como eu trabalhava na mídia, era mais conhecido dos associados e decidiram pelo meu nome. Pesou também minha experiência com futebol, trabalhando na imprensa e cursos de gestão técnica em futebol que fiz", disse Sant'Ana.

Seu nome foi lançado para todos os membros do grupo em 11 de novembro, 32 dias antes da eleição. E aprovado em assembleia no dia 20 de novembro, data de seu aniversário de 33 anos. Sant'Ana se licenciou da Rede Bahia assim que teve o nome confirmado como candidato a presidente.

Gastos e ganhos

Sant'Ana não sabe quanto foi gasto na campanha, mas apoiadores o ajudaram com material de divulgação, impressão e até campanha publicitária --seus irmãos trabalham na área.

O estatuto do Bahia prevê que o presidente precisa estar à disposição do clube em tempo integral, ou seja, não pode ter uma profissão paralela. Sant'Ana terá uma remuneração na equipe baiana, mas o valor ainda está indefinido.

"O estatuto do clube prevê pagamento de R$ 30 mil, mas há uma lei que estipula que presidentes de entidades desportivas só podem receber até 70% do teto salarial do funcionalismo público", disse Sant'Ana.

A lei citada é a 12.688, de outubro de 2013, que além de limitar o salário de dirigentes também proibiu reeleição ilimitada e até que parentes dos cartolas possam se eleger na sequência do mandato.

O teto do funcionalismo público em 2014 foi de R$ 29,4 mil, portanto Sant'Ana iniciará o mandato com salário de pouco mais de R$ 20 mil.

O novo presidente terá que conduzir o Bahia de volta à primeira divisão, e promete mudanças na diretoria logo quando assumir.

Abaixo dele, além do sub presidente (no Bahia o termo vice é proibido, segundo Sant'Ana porque é associado ao rival Vitória), serão apenas três diretores: um de futebol, outro executivo, que cuidará da parte financeira, e um terceiro de mercado, para marketing, comunicação e associados.

"Meu sonho quando garoto era ser jogador do Bahia, mas não tive equipamento para isso. Optei por trabalhar com o mercado esportivo, não necessariamente no Bahia, e agora surgiu essa oportunidade. O que posso dizer é: não desista dos seus sonhos", finalizou Sant'Ana.

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