Golpe virtual faz empresa perder R$ 1,5 milhão

Hackers teriam invadido computadores e alterado preços em orçamentos

iG Minas Gerais | Cinthia Ramalho |

Prejuízo. Desconfiança sobre crime surgiu após faturamento da empresa cair 40%, há três meses
DENILTON DIAS
Prejuízo. Desconfiança sobre crime surgiu após faturamento da empresa cair 40%, há três meses

Uma empresa do ramo de soldagem em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, alega ter tido prejuízo de 1,5 milhão com um golpe cibernético. De acordo com funcionários da CentroSoldas, a rede de computadores da empresa foi invadida por hackers, que tiveram acesso a documentos e a orçamentos que eram enviados para os clientes. Segundo a advogada da empresa, Paloma Distefani, colaboradores começaram a desconfiar do golpe porque, há cerca de três meses, o faturamento da empresa caiu aproximadamente 40%.

Além disso, segundo ela, vários clientes da CentroSoldas começaram a reclamar dos altos preços orçados pela empresa ou da falta de respostas para e-mails que eram enviados aos funcionários. “Nosso faturamento caiu muito, e começamos a suspeitar que havia algo errado. Também nos chamaram a atenção reclamações de diversos clientes antigos, que não estavam mais nos contratando e se queixavam dos preços que cobrávamos deles há anos”, conta Paloma Distefani.

Ainda segundo a advogada, as suspeitas de que estava ocorrendo um golpe virtual foram confirmadas quando, na última semana, o técnico de informática da CentroSoldas precisou acessar o e-mail interno da empresa de casa e descobriu que a conta tinha sido acessada, anteriormente, por um usuário externo à empresa. “Quando ele acessou a conta em casa, viu que o endereço IP (Internet Protocol, em inglês) que aparecia na tela estava com o nome de uma empresa concorrente”, conta. Foi registrado um boletim de ocorrência na Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos.

A Polícia Civil informou que suspeita que os hackers, após invadirem o sistema interno da empresa, tenham alterado orçamentos e conteúdo de e-mails enviados a fornecedores e clientes. O caso foi encaminhado à 2ª Delegacia de Polícia Civil de Contagem.

De acordo com a delegada Paloma Boson Kairala, responsável pelo caso, as penas para quem invade o sistema de informática interno de uma empresa podem variar de três meses a um ano de prisão, podendo ser agravadas. “Além da invasão da conta, pode haver prejuízo de dinheiro ou alteração de informações, o que aumentaria a pena. A penalização depende de cada caso”, explica.

Prevenção. Ainda de acordo com Paloma Boson, é importante que as empresas contratem profissionais de tecnologia qualificados e de confiança para realizar a manutenção dos sistemas. Ela sugere que sejam instalados programas que ajudem a garantir a segurança das informações armazenadas.

Dados

Empresa. De acordo com a advogada da CentroSoldas, os hackers tiveram acesso ao e-mail e também às informações de Recursos Humanos da empresa.

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