Estado descumpre meta para Fica Vivo e fecha dois centros

Só 12% do prometido para o programa carro-chefe na prevenção da criminalidade foi alcançado

iG Minas Gerais | joana suarez |

Sem verba. Estado diz que fechamento das unidades aconteceu por uma questão orçamentária
[CREDITO]Wellington Pedro/Imprensa MG - 8.3.2013
Sem verba. Estado diz que fechamento das unidades aconteceu por uma questão orçamentária

Além de não cumprir as metas de expansão e atendimento aos jovens, o Programa de Controle de Homicídios Fica Vivo termina o ano com duas unidades a menos no Estado. Foram fechados, recentemente, os núcleos de Sabará, na região metropolitana da capital, e Uberaba, no Triângulo Mineiro. A previsão, há três anos, era concluir 2014 com 62 Centros de Prevenção à Criminalidade (CPC), mas apenas 32 foram criados.

O CPC é formado por dois programas: o Mediação de Conflitos e o Fica Vivo, carro-chefe do Estado para frear a violência. Em 2011, quando Minas contava com 27 unidades, o governo estadual anunciou a meta de 62. Mas, dos 35 previstos, apenas cinco se tornaram realidade, 12% do prometido.

Conforme a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), o fechamento dos programas nas duas unidades ocorreu por “necessidade de readequação para conciliar a questão orçamentária com a variação da migração da criminalidade”. Ainda conforme nota da Seds, Uberaba e Sabará foram escolhidas porque apresentam as menores taxas de homicídio dos locais atendidos pelo programa. Ambas, porém, registraram aumento das taxas de homicídios nos últimos anos.

A secretária municipal de Desenvolvimento Social de Sabará, Cátia Sales, acredita que será um grande prejuízo o encerramento do Fica Vivo. “Fiquei sabendo pela comunidade. Estamos tentando nos reunir com o governo para saber o que ocorreu e o que pode ser feito, porque é um prejuízo imensurável. O programa ficava em uma comunidade extremamente violenta, que não pode ficar descoberta”, lamentou. Em média, 300 jovens eram atendidos no local.

Em Uberaba, onde cerca de 360 jovens eram atendidos, a Secretaria Municipal de Defesa Social declarou que “não foi comunicada oficialmente sobre o encerramento do projeto”. A informação obtida pela reportagem foi que os funcionários da unidade foram demitidos “de um dia para o outro”.

A Seds informou que nenhum outro núcleo será fechado e que dará suporte e atendimento a essas localidades, “de modo que não haja qualquer prejuízo à população”. Nas duas cidades, pessoas ligadas ao extinto Fica Vivo evitaram falar sobre o assunto.

Para o sociólogo Robson Sávio, a situação atual é retrato dos problemas enfrentados pelos programas de prevenção à criminalidade em Minas Gerais. “A redução dos centros, o aumento da violência e as demissões mostram que o projeto que sempre foi a menina dos olhos sofreu muitos erros de gestão”.

Nova gestão

Futuro. A assessoria de Fernando Pimentel (PT), governador eleito, informou que está discutindo a manutenção e ampliação de programas, mas ainda não há nada concreto em relação ao Fica Vivo. 

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