Marques quer cassar colega

Deputado alega que correligionário eleito para a Casa usou de culto para se beneficiar nas urnas

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Para Marques,  o episódio foi decisivo para o resultado das urnas
Maycon Martins/almg 6.5.2014
Para Marques, o episódio foi decisivo para o resultado das urnas

O deputado Marques Abreu (PTB), que não conseguiu se reeleger, entrou com uma ação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) pedindo a cassação do seu colega de partido Márcio Santiago, que acabou sendo eleito para uma cadeira na Assembleia. Marques acusa o concorrente de ter participado de um showmício na véspera do pleito, na praça da Estação. A petição inicial ainda alega que Santiago cometeu abuso de poder econômico, político e religioso e de comunicação.

A denúncia protocolada anteontem traz o relatório do perito Maurício Brandão Ellis, contratado por Marques, que aponta que Santiago se beneficiou do evento promovido por uma igreja evangélica.

O pedido de cassação se estende ao candidato a deputado federal Pastor Franklin Lima (PTdoB), que também participou do evento. Nas eleições, ele ficou na primeira suplência.

No dia 4 de outubro, Santiago participou do culto Concentração de Poder e Milagre que reuniu cerca de 25 mil pessoas na praça da Estação, região central de Belo Horizonte. Ele permaneceu no palco todo o tempo.

O pastor Valdemiro Santiago, que comandava a festa, os apresentou ao público e pediu aos fiéis que votassem em Santiago e Lima. Na ocasião, eles não falaram ao microfone, mas, segundo a denúncia, foram distribuídos santinhos e adesivos.

Para o deputado Marques, o episódio foi decisivo para o resultado das urnas. Santiago conquistou 76.551 votos, e Marques, 39.027.

“Essa festa, com shows e tudo, contribuiu fortemente para a eleição do Márcio Santiago. Seria o mesmo que eu, ex-atleta, pedir ao Tardelli ou outro ídolo para pedir votos para mim em um Mineirão lotado”, afirmou Marques.

Já Márcio Santiago não teme perder o que pode ser o seu primeiro mandato. “Só fiz o corpo a corpo com os fiéis. Não houve interferência nas urnas”, disse.

Provas. Entre as provas anexadas pelo perito estão um vídeo do evento e um folheto de divulgação da festa que trazia com destaque o nome e o número de Santiago.

Há, ainda, um boletim de ocorrência feito por um policial que passava no local e suspeitou que se tratava de propaganda irregular. Em um vídeo encaminhado ao TRE, o pastor pede votos. “Queria pedir a vocês que amanhã, cada um saísse daqui, de alguma forma conseguisse o número do Franklin e do Márcio e honrasse essa obra e elegesse estes homens, deputado federal o Franklin, deputado estadual o Márcio”, diz o pastor Valdemiro Santiago, tio de Márcio.

O pastor ainda pediu para que cada um dos presentes conseguisse dez votos para cada um dos candidatos.

Marques alega abuso de poder econômico, já que o evento que custou cerca de R$ 929 mil não foi realizado com finalidade religiosa, mas política. “Deveria estar na prestação de contas dele”, diz. O poder religioso seria pela influência do pastor. Por fim, abuso dos meios de comunicação já que o evento foi divulgado em redes sociais, cartazes e traseiras de ônibus.

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