Pacientes pagam para ter camundongo “customizado”

Estudo é realizado em laboratório privado e custa a partir de US$ 10 mil

iG Minas Gerais |

Cobaias. Resultados de testes nos ratos podem auxiliar pacientes a decidir melhor tratamento para seu caso
Arquivo/Stockxpert
Cobaias. Resultados de testes nos ratos podem auxiliar pacientes a decidir melhor tratamento para seu caso

Rio de Janeiro. Antigos parceiros da medicina na pesquisa de drogas e tratamentos, os camundongos estão ganhando um status personalizado nos Estados Unidos. Agora, são os pacientes que estão fazendo o mesmo, com a esperança de encontrarem a cura para sua própria doença.

Muitas pessoas começaram a pagar para um laboratório privado criar camundongos que carregam fragmentos de seus próprios tumores para que os tratamentos possam ser testados primeiro nos roedores. “A ideia é ver quais drogas podem funcionar melhor em uma pessoa específica e em um câncer com características singulares.

A partir dos resultados obtidos, os camundongos podem auxiliar os pacientes a tomar decisões difíceis em circunstâncias extremas. Estudos podem sugerir que uma certa quimioterapia vai funcionar, mas pacientes se perguntam se vai funcionar para eles.

Por isso, centenas de pessoas fizeram "camundongos avatares" nos últimos anos nos Estados Unidos para testar quimioterapias. Mas não há garantias de que os camundongos possam ajudar.

“Não há muita ciência para dizer o quanto isso pode funcionar, e a estratégia deve ser considerada altamente experimental”, explica o médico Len Lichtenfeld, da Sociedade Americana de Câncer.

Ele afirma, porém, que alguns estudos têm gerado resultados animadores. Uma pesquisa com 70 pacientes descobriu que os roedores geralmente refletem o modo como os pacientes responderão a várias drogas. Mas não há evidência de que usar camundongos é melhor do que adotar os cuidados baseados em diretrizes médicas ou testes genéticos.

Preço alto. Ter um camundongo customizado pode custar US$ 10 mil ou mais, e convênios médicos não cobrem o procedimento. Além disso, demora vários meses para os testes ficarem prontos. Por isso, o paciente pode ter de começar o tratamento antes de saber o resultado obtido no roedor.

Muitos laboratórios criam esse tipo de camundongo, mas o principal fornecedor dos pacientes tem sido o Champions Oncology, uma companhia com base em Hackensack, em Nova Jersey, que também opera em Londres, Tel Aviv e Cingapura.

“Eu vejo uma promessa, mas leva muito tempo e é muito caro. Para o paciente médio, o cuidado padrão ainda vai ser a melhor alternativa.”

Ana Welm - Pesquisadora de câncer na Oklahoma Medical Research Foundation

Estoque

Aproximadamente 7 mil camundongos “customizados” são mantidos em um laboratório de Baltimore com seis quartos que se assemelham a salas de estoque de uma loja de sapatos

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