Nova chance para ver ‘The Good Wife’

Série com Julianna Margulies acaba de entrar para o acervo do Netflix no Brasil

iG Minas Gerais | Isis Mota |

Metamorfose. “The Good Wife” acompanha a Alicia de Julianna Margulies, de dona de casa traída à figura pública que ofusca o marido
Reprodução/CBS
Metamorfose. “The Good Wife” acompanha a Alicia de Julianna Margulies, de dona de casa traída à figura pública que ofusca o marido

Algumas séries, não importa quão antigas sejam, não podem faltar no currículo de quem gosta de televisão. “The Good Wife” está nessa lista. Então, se você não acompanhou as cinco temporadas que já foram ao ar, ganhou uma chance única: a série acaba de entrar para o acervo do Netflix no Brasil. Não dá mais para falar que perdeu a reprise na TV.

A boa esposa do título é Alicia Florrick, a premiadíssima Julianna Margulies, que despontou em “E.R.”. Logo no piloto, nós a vemos no fundo do poço: uma das muitas traições do marido cai na internet, e ela é literalmente a última a saber. O marido, Peter Florrick (Chris Noth, de “Sex and The City”), é o “state’s attorney”, o que corresponde mais ou menos ao cargo mais alto entre os promotores do condado, e que, nos Estados Unidos, é um cargo político para o qual se é eleito.

Aluna brilhante na faculdade de direito, Alicia praticamente nunca exerceu a profissão. Saiu direto da faculdade para a cozinha, e viveu cuidando dos filhos e do marido… Até que ele é preso – não pelo escândalo sexual, mas acusado de corrupção. Ela se muda da mansão para um apartamentinho, e é forçada a procurar emprego para sustentar a família.

O fato de ter aparecido no noticiário como a boba que foi traída e ainda assim ficou do lado do marido não ajuda. Depois de muitas portas na cara, seu ex-caso da faculdade, Will Gardner (Josh Charles), lhe dá uma chance. É aí que o patinho feio começa a virar cisne. De dona de casa mal arrumada e sem saber o que dizer, ela vai se transformando numa fera dos tribunais. E mais: numa mulher bonita, elegante, de língua afiada.

O preço, claro, é alto. Ela se distancia dos filhos e vai perdendo, aos poucos, a inocência e os escrúpulos que a fizeram ser quem é. Em “The Good Wife”, (quase) não há sucesso sem corrupção. Quanto mais ela sobe – de pouco mais que estagiária a sócia em seu próprio escritório –, mais ela abre mão de seus valores, e mais à vontade ela vai se sentindo com isso. Paradoxalmente, a imagem pública de “santa Alicia” vai se consolidando, até que ela se lança candidata ao cargo uma vez ocupado pelo seu marido.

A arte de se reinventar. A maioria das séries da TV aberta nos Estados Unidos é uma obra em construção. A cada semana, os programas reagem à própria reação do público. Nesse universo que se retroalimenta, “The Good Wife” é um dos shows mais inteligentes exibidos hoje, e um dos mais regulares também.

Nem a morte de um dos seus protagonistas conseguiu desequilibrar o balanço perfeito entre caso da semana e a animadíssima vida pessoal dos personagens principais, que fisga até o mais blasé dos espectadores. Pelo contrário: os produtores Robert e Michelle King aproveitaram o desejo de Josh Charles de deixar a série. Em vez de ser só um melodrama barato para justificar uma ausência, sua morte acabou reinventando o programa.

Claro que um ou outro episódio deixa a peteca cair, mas, no geral, o texto beira a perfeição, os silêncios falam tanto quanto os gritos, e a interpretação – especialmente de Julianna Margulies – não foi premiada à toa. Quem nunca viu “The Good Wife” não pode dizer que já viu tudo de bom que a TV tem a oferecer. E se a sua desculpa é que achava que era um programa “para mulheres”, pode virar o disco. “The Good Wife” está na sexta temporada nos EUA, pela CBS. No Brasil, o USA exibe a quinta temporada, às quintas, às 23h. A série está no Netflix desde o primeiro episódio.

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