Novas tecnologias no foco

Seminário de Imersão das Redes, que acontece em São Paulo, debate implantação da tecnologia 4K no Brasil

iG Minas Gerais | rafael soares |

Made in Nordeste. Raoni Kulesza debateu sobre as ações desenvolvidas pelo LAVID, de João Pessoa
rafael soares
Made in Nordeste. Raoni Kulesza debateu sobre as ações desenvolvidas pelo LAVID, de João Pessoa

São Paulo. Quando em 2003 o professor Guido Lemos voltou à sua terra natal e conseguiu viabilizar a criação do Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital (LAVID) na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, foram abertas muitas oportunidades para o desenvolvimento de tecnologias nacionais. O foco de suas ações hoje estão no desenvolvimento de plataformas e aplicativos.

As frentes abertas naquela época estão hoje na sua TV e muito em breve estarão também em seu cinema ou ainda pelo interior do país. Esse é o plano e faltam apenas as condições e vontade política para o país se tornar um dos atores mundiais nessa frente.

Os estudos e pesquisas do LAVID foram um dos destaques do Cidadania 2.0 – 1º Seminário de Imersão das Redes, um encontro que espera fomentar o diálogo entre algumas das mais importantes e bem-sucedidas iniciativas de movimentos sociais realizadas no Brasil, que acontece em São Paulo até a próxima sexta.

O LAVID enviou um dos seus professores, Raoni Kulesza, para contar os avanços e os desafios encontrados pela turma de João Pessoa. Raoni explica o Ginga Brasil e os testes com a tecnologia 4K, uma das formas de mais qualidade de transmissão digital de imagens, que pode ser usada tanto para o cinema quanto para aulas. O LAVID é um polo de conhecimento com 61 professores e 1.500 alunos nos cursos, com 21 pesquisadores e 54 discentes envolvidos nos projetos. Já são 11 patentes registradas e oito start up abertas pelo Brasil e no mundo.

Sobre o Ginga Brasil, a situação está um pouco mais adiantada. O software já é usado em televisões brasileiras, mas ainda faltam algumas medidas, como regulamentar a qualidade da recepção. “Para adotar o padrão europeu, teríamos que pagar R$ 400 milhões. Recebemos R$ 100 milhões para desenvolver o nosso padrão, que já está sendo vendido para outros países da América Latina”, afirma Kulesza.

O desafio da TV digital no Brasil é grande. Governos, multinacionais e desenvolvedores estão neste jogo de forças e, para complicar, o sinal analógico deve ser desligado até 2018 no país.

A outra frente de atuação do laboratório é o estudo e desenvolvimento de transmissões no sistema 4K – com resolução de tela é quatro vezes melhor que a Full HD. O LAVID vem desenvolvendo um aparelho brasileiro, de código aberto e muito mais barato que seus concorrentes do exterior. Tem realizado testes de transmissões com sucesso. Alunos de medicina que participaram de uma das transmissões-testes disseram que é melhor e mais “educativo” ver uma aula em 4K do que na sala de cirurgia.

A possibilidade de usar os estudos de redes de transmissão desenvolvidos pelo LAVID para tornar possível a exibição de cinema no interior do país é outro projeto que com um pouco de vontade política poderiam sair do papel.

Aí surge um outro e talvez o maior problema para a implantação destas tecnologias, que é o apoio, desenvolvimento e o famoso “fazer andar” várias propostas e caminhos de financiamento para a implantação dessas ideias. “Quando o LAVID fala que temos que aproveitar a terceira janela de oportunidades para a TV digital, foram opções políticas que fizeram perder as outras duas”, afirma Rodrigo Savazoni, pesquisador que também participou do debate.

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