Regina Souza, do atemporal ao moderno

Cantora mineira celebra hoje lançamento do novo disco, “Inversões”, em noite de autógrafos no CCBB

iG Minas Gerais | fábio corrêa |

Versões. “Inversões” conta com releituras de canções de Cole Porter e Tom Jobim
Marcia Charnizon
Versões. “Inversões” conta com releituras de canções de Cole Porter e Tom Jobim

Se o inglês é um problema para a voz de Regina Souza, o mesmo não acontece com o ouvido da cantora mineira. “Gosto muito da canção norte-americana”, explica. “Amo Chet Baker e escuto quase todos os dias, assim como a Ella [Fitzgerald], a Billie Holiday e o John Pizzarelli”. É justamente o cancioneiro do país do Tio Sam que dá as bases para o repertório de seu novo álbum, “Inversões’. Mesmo em português, clássicos da década de 1930, 40 e 50 foram a linha seguida no repertório escolhido por Regina e pelo diretor artístico, Pedrinho Alves Madeira.

A ideia surgiu há cerca de dois anos, quando Pedrinho convidou Regina para cantar uma versão de Rita Lee para a clássica “Blue Moon” no festival Aqui Jazz. “Logo no ensaio já percebi a capacidade dela de interpretar lindamente a canção. Então, falei que queria fazer um show com um repertório de canções daquela época”, relembra Pedrinho.

Regina, por seu lado, assume que demorou um certo tempo até digerir a proposta. “Eu tinha um certo receio por achar que, muitas vezes, a letra composta em português não encaixa na métrica ou na melodia original”, explica. Rapidamente, Pedrinho fez a cantora mudar de ideia. “Ele me mostrou versões maravilhosas de compositores nacionais, e eu topei.”

A primeira versão enviada pelo diretor e produtor artístico foi “Sol da Meia-Noite”, cantada em português por Sylvia Telles – a original é “Midnight Sun”, de Johnny Mercer, Lionel Hampton e Sonny Burke –, e que integra “Inversões”. Depois dela, seguiram-se cerca de 90 sugestões de Pedrinho, das quais sairiam as 12 faixas que compõem o disco. Entre elas, clássicos de Cole Porter em português e, de maneira inversa, versões de compositores brasileiros em outras línguas – como “Rome”, releitura em francês para “Chovendo na Roseira”, de Tom Jobim.

“Tem essa coisa da inversão, e ‘Rome’ é surreal, pois a música é do Tom, versada para o francês, e fala de Roma”, analisa Regina, ressaltando também a habilidade do produtor Rodrigo Campello de envolver a releitura no estilo do célebre compositor italiano Nino Rota.

Inspirações parecidas não faltaram a Campello, como em “Begin the Beguine”, versão de Haroldo Barbosa para composição de Cole Porter, eternizada por Fred Astaire no filme “Melodia da Broadway de 1940”. “Quando a gente vê o filme, parece que o Fred está dançando no céu”, observa Regina. “Esse voar é trazido pelo Rodrigo através da harpa chinesa que ele coloca na versão do disco. Ao mesmo tempo, tem uma programação eletrônica”, diz. “Fiquei surpresa de ele ter trazido tantas referências e, mesmo assim, dar uma cara tão contemporânea para as músicas.”

Para Pedrinho, “Inversões” é uma amostra de como esse repertório, aparentemente datado, sobrevive na atemporalidade das canções. “Mesmo sendo das décadas de 1930, 40 e 50, o repertório tornou-se contemporâneo nos arranjos” analisa.

Para “Inversões”, Regina pediu a amigos e conhecidos que comprassem antecipadamente e, assim, vendeu quase todas as mil cópias. Hoje, ela celebra a realização do álbum com uma noite de autógrafos no Café com Letras da Praça da Liberdade.

Agenda

O QUÊ. Regina Souza - Lançamento de “Inversões”

QUANDO. Sessão de autógrafos hoje, das 19h às 21h

ONDE. Café com Letras do Centro Cultural Banco do Brasil (praça da Liberdade, 450, funcionários)

QUANTO. Entrada franca

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