Número de réus chega a 36

Juiz acatou ação do Ministério Público Federal contra executivos de Camargo Corrêa, UTC e Mendes Júnior

iG Minas Gerais |

Clube. Ricardo Pessôa, da UTC, é apontado como o chefe do clube de empreiteiras que formavam cartel
MARCOS BEZERRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 14.11.2014
Clube. Ricardo Pessôa, da UTC, é apontado como o chefe do clube de empreiteiras que formavam cartel

Brasília. A Justiça Federal do Paraná aceitou ontem mais duas denúncias do Ministério Público Federal (MPF) decorrentes da operação Lava Jato: uma contra os três principais dirigentes da Camargo Corrêa e outra contra 11 dirigentes e funcionários das empreiteiras Mendes Júnior e UTC. Eles responderão por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Até agora, ao todo, 36 pessoas viraram réus.

No caso da ação envolvendo a Camargo Corrêa, viraram réus Dalton dos Santos Avancini, presidente; João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração; e Eduardo Hermelino Leite, vice-presidente – além de Adarico Negromonte Filho, irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte, acusado de fazer entrega de dinheiro para agentes públicos a pedido do doleiro Alberto Youssef.

Na mesma ação também estão relacionados os réus Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa, Waldomiro de Oliveira, Márcio Andrade Bonilho e Jayme Alves de Oliveira Filho. O presidente da UTC Engenharia, Ricardo Ribeiro Pessôa, responde pelas duas ações aceitas ontem pelo juiz Sérgio Moro.

Pessôa é apontado por delatores como o coordenador das reuniões do suposto cartel que atuava em contratos com a Petrobras.

Na outra ação acatada ontem, além de Pessôa, viraram réus um sócio-proprietário da UTC e a responsável pela operacionalização dos pagamentos entre empreiteira e a GFD, empresa de Alberto Youssef. Da Mendes Júnior, constam da lista dois vice-presidentes, um diretor e dois representantes da empresa em um consórcio. Também viraram réus Antonio Carlos Fioravante Brasil Pieruccini e João Procópio, ambos empresários ligados a Youssef, e Mário Lúcio de Oliveira.

Em depoimento prestado à Polícia Federal (PF), Ricardo Pessôa negou qualquer irregularidade na sua relação comercial com o doleiro Youssef. Sérgio Mendes, em depoimento à PF, disse que se viu forçado a pagar comissões no valor de R$ 8 milhões para manter ou fechar novos contratos na Petrobras.

Outros cinco nomes listados pelo Ministério Público e acolhidos pela Justiça na primeira ação de ontem já haviam virado réus em consequência de outras denúncias: Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras; Waldomiro de Oliveira, apontado como laranja do doleiro; Carlos Alberto Costa, advogado; Enivaldo Quadrado, doleiro e operador do mercado de capitais; e o próprio Alberto Youssef.

Entenda

Ações. Ao todo, o Ministério Público Federal já ofereceu seis denúncias à Justiça decorrentes da operação Lava Jato. Até agora, o juiz Sérgio Moro já acatou quatro delas, somando 36 réus.

Na Justiça

UTC Engenharia:

Ricardo Ribeiro Pessoa, sócio-proprietário

João de Teive Argollo, sócio-proprietário

Sandra Raphael Guimarães, funcionária  Mendes Júnior:

Sérgio Cunha Mendes, vice-presidente executivo

Ângelo Mendes, vice-presidente corporativo0

Rogério Cunha de Oliveira, dir. de Óleo e Gás

Alberto Gomes e José Resende, respectivamente administrador e representante no consórcio Mendes Júnior-MPG-SOG.

Camargo Corrêa:

Dalton dos Santos Avancini, presidente

João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração

Eduardo Hermelino Leite, vice-presidente

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