Polêmica sobre gorilinha é 'tempestade em copo d'água', diz Lacerda

Órgão recomendou que nome não seja africano para evitar apologia ao racismo; prefeito afirma que nome de animal não será alterado e fala que MP deveria dar atenção a assuntos mais relevantes

iG Minas Gerais | Fernanda Viegas/Bernardo Almeida |

Filhote nasceu em setembro deste ano
Suziane Fonseca/Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte
Filhote nasceu em setembro deste ano

O prefeito Marcio Lacerda criticou a intervenção do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), na manhã desta terça-feira (16), que recomendou, após uma representação, que o nome do segundo gorila nascido no Zoológico de Belo Horizonte não seja de origem africana, para que não fosse remetido a uma atitude de racismo.

"Eu acho que está se fazendo tempestade em copo d'água. Certamente eu não sei se são nomes próprios, não sei se na África isso seria um ato de racismo, aqui não está sendo, são nomes carinhosos, de um significado bonito e nós achamos que colocar um nome africano, independentemente de ser nome próprio ou não, seria dar ao gorilinha sua identidade africana. E nós respeitamos muito a identidade africana, tanto que colocamos o nome de vários viadutos da Antônio Carlos de países africanos. Nós respeitamos a cultura africana e somos contra qualquer forma, velada ou clara, de racismo", afirmou Lacerda durante o evento de lançamento do serviço de atendimento online de resultados de exames, no centro da capital.

Nessa segunda-feira (15), o MPMG divulgou a decisão das promotoras de Justiça Nívia Mônica da Silva e Cláudia Amaral Xavier. De acordo com elas, “muito embora bem intencionada, a votação pode atuar em sentido contrário ao pretendido: ao invés de prestar uma homenagem ao continente africano, contribuirá, por certo, para a perpetuação de uma opressão sistêmica e estrutural ao povo negro”.

No dia 9 de dezembro, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) recebeu representação do Instituto de Inovação Social e Diversidade Cultural (Insod), tratando da existência de uma votação virtual, promovida pela Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte, objetivando a escolha de nome para um dos gorilas nascidos no zoológico da cidade. Na representação, o Insod diz ser “inaceitável a postura da Fundação, no sentido de vincular um ícone histórico de racismo – o macaco – a nomes de origem africana, com o intuito, segundo a Fundação, de fazer homenagem à origem africana do animal, sem levar em consideração a magnitude dos danos aos grupos étnicos-raciais diretamente atingidos”. Diante disso, o Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos (CAO-DH) e a Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos de Belo Horizonte expediram, no dia 12 de dezembro, Recomendação à Fundação Zôo-Botânica para o imediato cancelamento da votação mencionada, ou, alternativamente, a substituição dos nomes por outros que não contenham origem africana.

Na avaliação do prefeito, a atenção do MPMG poderia ser direcionada para assuntos mais relevantes. "Eu acho que o Ministério Público acaba se envolvendo em assuntos de pouca importância. Há tantos assuntos importantes da sociedade para merecer a atenção do MP, a pichação por exemplo, e que não tem essa devida atenção. Portanto eu acho que é uma polêmica vazia e nós não pretendemos mudar os nomes dos gorilinhas", garante.

Leia tudo sobre: gorilanomeintervençãoMPMGprefeitoMarcio Lacerda