“O Marcio Lacerda simplesmente apoiou minha campanha. Acho que o Pimentel foi usado pela turma dele”

Wellington Magalhães Presidente eleito da Câmara de Belo Horizonte

iG Minas Gerais | Lucas Pavanelli |

O senhor acusou o governador eleito Fernando Pimentel (PT) de interferir na eleição para a Presidência da Câmara. A oposição acusou o prefeito Marcio Lacerda (PSB) de oferecer vantagens para quem votasse no senhor. Foi o primeiro round da disputa pela prefeitura em 2016?

Ah, isso já passou né? Eu não vejo assim. O Marcio simplesmente apoiou minha campanha. Acho que o Pimentel foi usado pela turma dele. Disseram para ele que faltariam só dois votos. Acho que ele foi usado nisso aí pelo Miguel (Corrêa, deputado federal) e pela turma dele.

O prefeito esteve no hotel com o senhor e com os vereadores que votaram na sua candidatura na noite anterior à eleição. Essa interferência não tira a independência da Casa? Eu acho que não. Todo presidente de Câmara sofre interferência do Executivo. A Dilma tem a interferência dela, o Pimentel terá a dele. O Marcio tinha que ter o candidato dele. Se ganha a oposição, como é que ela vai administrar essa Casa? São dois órgãos independentes, mas no que for bom para Belo Horizonte, eles têm que caminhar juntos.

Alguns nomes da base disseram que o presidente Léo Burguês (PTdoB) teria se ausentado do comando da Casa e que o senhor foi o responsável por conduzir essas votações, o que teria agradado do prefeito. Isso teve influência?

Teve influência. Quando o Léo não estava na sua presidência, tivemos vários projetos polêmicos. Tivemos aquela invasão da Câmara, e eu que fiquei em contato com o prefeito. Teve aquela sessão que nós ficamos até três, quatro horas da manhã, eu sempre presidindo. O Léo não estava na frente. Eu já tinha pretensão de sair (candidato à Presidência), e, depois dessas ações, o Marcio Lacerda achou viável entrar na minha campanha.

E qual a sua avaliação do mandato do Burguês?

Como presidente eleito fica até chato de falar. Ele teve uma rejeição. Cada um administra do seu jeito. Como o regime da Casa é presidencialista, se ele quiser fazer tudo sem conversar com ninguém, ele faz. Acho que o desgaste veio desse aspecto, de tomar decisões importantes isoladamente.

E com relação à verba indenizatória, que foi uma promessa do Burguês e não avançou, o senhor vai mudar esse modelo?

Por isso que eu te falo. Ele fez uma proposta sozinho, e não deu certo. Eu quero, sim, quero ver se a gente consegue mudar essa verba indenizatória, ver o que pode ser licitado em conjunto. Eu pedi até ao Ronaldo Gontijo (PPS) que fizesse um estudo. Imagino que já esteja até pronto. Na hora que eu tomar posse, nós vamos ver. 

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