Clima e concreto sentenciam praias à morte, inclusive no Rio

Constatação foi publicada no livro recém-lançado “The Last Beach”

iG Minas Gerais |

Paredes de concreto. Segundo os pesquisadores, as barreiras construídas pelo homem para a proteção contra as tempestades e o aumento do nível do mar acabam prejudicando ainda mais a erosão
AFP PHOTO - 6.12.2014
Paredes de concreto. Segundo os pesquisadores, as barreiras construídas pelo homem para a proteção contra as tempestades e o aumento do nível do mar acabam prejudicando ainda mais a erosão

Rio de Janeiro. As praias de todo o litoral brasileiro e do resto planeta correm o risco de desaparecer. A informação é assinada por dois importantes pesquisadores da geologia marinha mundial que assinam o livro recém-lançado “The Last Beach” (“A Última Praia”), ainda sem previsão de publicação no Brasil.  

As intervenções humanas à beira-mar, somadas com a elevação dos níveis de oceanos e as tempestades cada vez mais fortes por conta das mudanças climáticas, estariam provocando forte erosão de areia em direção ao fundo dos oceanos, num efeito de “varredura” do solo costeiro. A teoria é dos especialistas Andrew Cooper, professor de Estudos Costeiros da Universidade de Ulster, no Reino Unido, e Orrin Pilkey, professor de ciências da terra e dos oceanos na Universidade de Duke, nos Estados Unidos.

“A sentença de morte já soou para grandes extensões de praias ao longo de costas densamente povoadas, como a da Florida, da Costa del Sol, na Espanha, a Golden Coast da Austrália e o litoral do Rio de Janeiro”, disse Orrin Pilkey em entrevista ao jornal britânico “The Guardian”.

A ironia, segundo os geólogos afirmam em “The Last Beach”, é que as paredes de concreto erguidas pelo homem para proteção contra as tempestades e elevação das águas servem apenas para acelerar o processo de erosão da linha costeira. Ou seja, em vez de ajudarem, esses paredões pioram ainda mais os efeitos da erosão.

Os pesquisadores também argumentam que o ideal seria preservar ao máximo as praias como ambiente natural, longe da intervenção humana. Segundo eles, dunas e longas faixas de areia das praias funcionam muito melhor na contenção de tempestades do que paredes de concreto.

“A praia é uma defesa natural maravilhosa contra as forças do oceano. Elas absorvem a energia das ondas do mar, reduzindo-as a um movimento oscilante suave ao longo no litoral. Tempestades não destroem praias; apenas mudam sua forma e localização, movendo-se em torno da areia para maximizar a absorção de energia das ondas e, em seguida, recuperar a linha costeira nos dias, meses e anos que se seguirem”, explica Pilkey.

Segundo o pesquisador, como o aumento do nível do mar contribui para os danos causados pelas tempestades, cada vez mais frequentes, o recuo das habitações ao longo do litoral se tornaria um “imperativo, mas quase impossível”.

Tempestades

Ondas gigantes. Na semana passada, tempestades geraram ondas de 15 metros que destruíram defesas marítimas de concreto em praias na Europa, América do Norte e nas Filipinas.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave