Sequestrador é um dos dois mortos no cerco à cafeteria em Sydney

Segundo a emissora de TV Channel 7, além dos dois mortos, três pessoas ficaram gravemente feridas na operação conduzida pelas tropas de elite

iG Minas Gerais | AFP |

Brasileira Marcia Mikhael é socorrida com fim de sequestro em cafeteria em Sidney
Rob Griffith/AP
Brasileira Marcia Mikhael é socorrida com fim de sequestro em cafeteria em Sidney

Pelo menos duas pessoas morreram na operação da polícia australiana para libertar os reféns em uma cafeteria de Sydney depois de 16 horas de cerco, informou a imprensa local.

Um dos mortos seria o sequestrador, um clérigo nascido no Irã chamado Man Haron Monis.

Segundo a emissora de TV Channel 7, além dos dois mortos, três pessoas ficaram gravemente feridas na operação conduzida pelas tropas de elite.

O Hospital Royal North Shore informou que uma mulher com cerca de 40 anos foi internada com uma bala na perna. Sua condição é grave, mas estável.

Após uma ação rápida da tropa de elite, com muitos flashes e detonações abafadas, outros reféns conseguiram fugir.

Um robô rastreador de bombas, usado para detectar e desarmar explosivos, foi enviado para revistar o interior da loja e permitiu que os paramédicos pudessem atender os reféns.

A polícia australiana anunciou o fim do cerco depois de quase 20 horas, por volta das 3 horas da manhã, horário local (13H00 de Brasília).

O sequestro teve início no fim da manhã de segunda-feira (noite de domingo no Brasil) quando um homem armado, aparentemente sozinho, invadiu o Lindt Chocolat Café, um estabelecimento situado na Martin Place - uma praça central do bairro financeiro da capital -, onde também há vários prédios oficiais.

Depois de fazer funcionários e fregueses reféns, ele estendeu uma bandeira geralmente utilizada por grupos jihadistas numa das janelas da loja.

A bandeira preta trazia a inscrição em árabe "Não existe outro Deus a não ser Alá, Maomé é o mensageiro de Alá".

Seis horas depois do início da tomada de reféns, cinco pessoas - três homens e duas mulheres - conseguiram fugir do café em dois momentos diferentes.

O repórter Chris Reason, cuja redação do Channel Seven fica localizada diante do café, tuitou que era possível ver que havia 15 pessoas feitas reféns, e não cerca de 50 como foi aventado.

"Deu para ver que o sequestrador fazia um rodízio de reféns, forçando-os ficar com as mãos postadas contra o vidro da janela para que fossem vistos do lado de fora, às vezes cerca de duas horas de cada vez", contou o jornalista.

A imprensa logo identificaria o sequestrador como um o xeque Haron Monis, e divulgou a foto de um homem barbudo e usando turbante branco.

"Monis estava sob fiança por uma série de agressões violentas", afirmou a rede local ABC.

O ex-advogado de Monis disse ainda que a ação do iraniano não era ação de um grupo terrorista organizado.

"Isso é a ação aleatória de um único indivíduo", afirmou à ABC. "Não é um ato terrorista organizado", enfatizou.

A imprensa australiana afirmou ainda que Monis teria enviado cartas ofensivas às famílias de soldados mortos e estava sob fiança por envolvimento na morte de sua ex-esposa e uma acusação de abuso sexual.

Ele teria 40 anos e chegou à Austrália como refugiado em 1996.

A Austrália está em estado de alerta nas últimas semanas pelo temor do governo de que alguns de seus cidadãos que lutam junto aos jihadistas no Iraque e na Síria possam cometer ataques em sua volta ao país.

Mais de 70 australianos pertencem a grupos islamitas que militam no Iraque e na Síria. Cerca de 20 já morreram.

 

Grupos muçulmanos condenam

A imprensa local informou que o sequestrador teria feito várias exigências, mas estas afirmações foram retiradas da mídia depois que a polícia pediu que não fossem publicadas.

Uma dessas reivindicações seria falar com o primeiro-ministro australiano.

No início da situação, também circularam rumores de que um pacote havia sido localizado pelas autoridades, mas a informação não foi confirmada.

O Martin Place, bairro onde está localizado o café, é um centro financeiro e abriga vários prédios públicos, como o Parlamento de Nova Gales do Sul e o Banco Central, além sedes diplomáticas, como a embaixada dos Estados Unidos.

Depois do início do sequestro, a Ópera de Sydney e vários comércio fecharam suas portas por motivos de segurança.

O primeiro-ministro Abbott convocou uma reunião de segurança e chamou os fatos de preocupantes, e pediu também que os cidadãos mantivessem a calma.

O incidente coincide com a prisão de um homem de 25 anos em Sydney que, segundo as autoridades, pode fazer parte de um plano para cometer atentados em território australiano.

Sua prisão faz parte das investigações em andamento para planejar "um ataque terrorista em solo australiano e para facilitar a viagem de cidadãos australianos à Síria para participar da luta armada".

Por ora, não se sabe se a prisão e a situação no café estão relacionadas.

Logo após o início do sequestro, mais de 40 grupos muçulmanos australianos condenaram a ação.

"Nós rejeitamos qualquer tentativa de tirar vidas de seres humanos inocentes ou de levar medo e terror a seus corações", afirmaram em um comunicado.

Os grupos muçulmanos indicaram que a inscrição na bandeira negra "não representa um posicionamento político, e sim reafirma o testemunho da fé do qual se apropriaram de maneira indevida indivíduos desorientados que não representam ninguém, exceto a si mesmos".

"Este ato desprezível serve apenas para as agendas daqueles que buscam destruir a boa vontade do povo da Austrália e para prejudicar e ridiculizar a religião do Islã e os muçulmanos australianos", completava a nota.

 

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