Pena é a grande reclamação

Condenados pelo mensalão ainda não se conformaram com as sentenças do Supremo Tribunal

iG Minas Gerais | Guilherme Reis |

Os advogados dos condenados no processo do mensalão relatam que seus clientes, apesar de demonstrarem boa adaptação à carceragem, ainda se sentem injustiçados pelo tamanho das penas que receberem e reclamam da condições dos presídios. 

O advogado do núcleo do Banco Rural que participou do esquema do mensalão, Maurício Campos, explica que seus clientes se queixam da estrutura física das penitenciárias e das poucas opções de trabalho nas unidades.

“Salvo o sentimento de injustiça com a gravidade da pena que lhes foi imposta, não há maior discussão sobre o fato de estarem presos. As reclamações são as inerentes às carências do sistema prisional brasileiro, com nota para a precariedade da estrutura física dos estabelecimentos prisionais, aliada a certa limitação de oportunidades de trabalho e estudos para mais rápida remição da pena”, afirma Campos, que defende a ex-presidente do Banco Rural Kátia Rabello, o ex-presidente do mesmo banco José Roberto Salgado e o ex-diretor da instituição Vinícius Samarane.  Os três, de acordo com o advogado, não fazem muitos planos para quando estiverem em liberdade novamente. O que eles mais pensam neste momento é em mudar para o regime semi-aberto e conseguir um trabalho externo. “Não falam sobre o que pretendem fazer depois da pena. Eles apenas pretendem conseguir um trabalho externo quando puderem progredir para o regime semiaberto”, explica o advogado.  O defensor de Simone Vasconcelos, ex-diretora financeira da empresa de Marcos Valério, a SMP&B, Leonardo Yarochewsky, explica que já visitou a condenada, mas é a sua sócia Thalita Coelho quem a encontra quinzenalmente. “É melhor uma mulher cumprir esse papel, já que as mulheres têm necessidades diferentes e se entendem melhor”. Ele garante que Simone já teve períodos mais críticos, mas que hoje consegue conviver melhor com a prisão. “Ela já teve momentos mais difíceis. Varia muito de dia para dia. Há momentos de mais tristeza e momentos melhores. Mas ela não pode ficar reclamando, porque a pessoa que faz isso acaba enlouquecendo. É melhor conviver com a situação. Sabemos que o sistema prisional brasileiro é humilhante. A cadeia é um lugar terrível”, enfatiza. Yarochewsky destaca que Simone deve ter cautela na convivência com outras presas que cometeram crimes diferentes dos dela. “Os ânimos ficam à flor da pele. Qualquer mínima discussão pode ser amplificada. Tem que ter muito cuidado no relacionamento. Mas ela tem uma boa convivência com outras colegas e até as ajuda”, informa o advogado. 

Juntas

Colegas. Presas na mesma cela na penitenciária Estevão Pinto, em Belo Horizonte, Simone Vasconcelos e Kátia Rabello têm bom relacionamento, de acordo com o advogado Leonardo Yarochewsky.

 

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