Alerta geral

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Os fatos ocorridos no país nas últimas semanas confirmam um quadro de descontrole, de desgoverno e de desequilíbrio que vai nos custar muito se um dia quisermos nos reencontrar com a segurança, com a lei e a ética como parâmetros das relações em sociedade. Os depoimentos e investigações tornados públicos no processo Lava Jato, a baixaria dos debates e do comportamento dos senadores, acobertados pela postura de seu presidente, senador Renan Calheiros, no processo de votação do projeto que alterou a meta fiscal, a disputa pela presidência da Câmara dos Deputados – com todos os seus lances, promessas e trocas e, trazendo para nossos corredores, a própria disputa pela presidência da Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte – sintetizam a flagrante perda de qualidade que varre o Brasil em todos os seus espaços. Não é pelo receio de que acabe em pizza esse processo nascido nas denúncias sobre o furto sistemático e diuturno dos recursos da Petrobras; nela, diretores e até empregados dos escalões inferiores, em conluio com empreiteiras e outros fornecedores, sangraram a maior empresa brasileira em bilhões de dólares, e agora pensam em amenizar suas culpas devolvendo o que não conseguiram esconder. Mas, parece, arrombaram tanto e tão descaradamente as contas da estatal que a Polícia Federal e o Judiciário não permitirão que saiam ilesos dessa mixórdia que geraram. Não é também porque o Senado desceu vertiginosamente o nível moral de suas práticas. Lá, mutretas acontecem há décadas e não foram inventadas por Renan Calheiros. Foram agravadas pelos seus membros mais recentes. Por sua vez, a Câmara dos Deputados tem provado ser uma instituição de tamanha solidez que resistirá à presidência do deputado Eduardo Cunha; outros iguais ou piores já a presidiram e não conseguiram acabar com a casa. A Câmara resistiu, ainda que a qualidade da produção de sucessivas legislaturas seja muitas vezes no mínimo questionável. Também na Câmara de Vereadores de BH, embora com inovações de estilo, a exemplo do confinamento de seus membros para que não acontecessem mudanças ou traições à chapa que se candidatou e se elegeu para compor sua mesa diretora, problemas sempre surgiram. Pior até do que o denunciado encarceramento privado é o saldo medíocre de suas decisões, que ajudam a produzir uma cidade conflitada, desorganizada e sem comando. O grave, o preocupante e o intolerável é que estamos nos acostumando com o pior, com o desqualificado, com a construção de um quadro de misérias sem volta, fruto da violência, da ignorância, da falta de valores e de princípios, da injustiça social, da despudorada ação de agentes públicos desonestos e sem compromisso com a nação. Se não houver uma reação urgente da sociedade, uma mudança de rumos, o caminho é a barbárie absoluta. Em menor escala, ela já está instalada.

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