Do berço da bossa nova para a capital do samba Beth Carvalho celebra a volta ao palco em DVD gravado no subúrbio do Rio de Janeiro “Ao Vivo no Parque Madureira”

Beth Carvalho celebra a volta ao palco em DVD gravado no subúrbio do Rio de Janeiro

iG Minas Gerais | Fábio Corrêa |

Samba. Beth foi apelidada de “Túnel Rebouças”, que no Rio de Janeiro une a zona Sul à zona Norte
ricardo gomes/o globo
Samba. Beth foi apelidada de “Túnel Rebouças”, que no Rio de Janeiro une a zona Sul à zona Norte

Antes de a banda entoar os primeiros acordes de “O Show tem que Continuar’, a emoção já havia se espalhado por todo o parque Madureira. Quando, então, ela surge, exibindo o tradicional sorriso, não restam mais dúvidas de que o show – registrado no DVD e no disco que acabam de chegar as lojas – nada mais é que uma verdadeira celebração. Da música, do samba, mas também da vida, da qual Beth Carvalho quase se despediu, em 2013, ao ser internada com complicações decorrentes de uma operação na coluna. E é nos versos da música do Fundo de Quintal que uma das maiores intérpretes do Brasil dá o recado: “Outra vez o nosso cantar / E a gente vai ser feliz”.

Prestes a completar, ano que vem, cinco décadas de carreira, Beth também celebra em “Ao Vivo no Parque Madureira” a sólida relação que construiu no decorrer dos anos com o subúrbio carioca. “Madureira é a capital do samba”, diz, sem rodeios. “É um lugar que possui duas das maiores escolas de samba (Portela e Império Serrano) e grandes compositores como Monarco”.

Nascida na zona Sul carioca, berço da bossa nova – e onde se encontram Ipanema e Copacabana –, a cantora se acostumou tanto com as idas a Madureira, na zona Norte, que acabou recebendo do folclórico jornalista Sérgio Cabral o apelido de “Túnel Rebouças” – que interliga as duas partes da capital fluminense.

“O samba pra valer tá no subúrbio”, conta. “Por isso, sempre frequentei, mesmo morando na zona Sul”. O interesse pelo local surgiu nos idos de 1960, com o Teatro Opinião. Todas as segundas-feiras, Beth ia aos espetáculos de samba promovidos por Nara Leão, que apresentavam os compositores do subúrbio ao público da classe média carioca. “Foi lá que eu passei a conhecer todos eles: Nelson Cavaquinho, Cartola, Monarco”, recorda. “A Nara teve uma importância muito grande nesse regaste”, frisa Beth, que daria seguimento ao trabalho.

De tão frutíferas, as visitas ao subúrbio renderam a Beth um extenso acervo em áudio e vídeo, totalmente dedicado ao samba. Para preservá-lo, ela agora espera a concretização do Instituto do Samba Beth Carvalho, que, além de sua coleção pessoal, deverá conter um teatro, uma sala para exposições e também promover aulas de música à população carente. Segundo ela, o projeto está nas mãos do prefeito Eduardo Paes. “Espero realizar esse sonho”, aspira.

Show. “Ao Vivo no Parque Madureira”, gravado em março deste ano, traz a contagiante e competente interpretação de Beth Carvalho – que também mostra a habilidade no cavaquinho – para mais de 20 composições, entre clássicos e novidades do mundo do samba. A banda, composta por mais de uma dezena de músicos, garante que a cozinha, capitaneada pelo surdo, fique completa com as harmonias sofisticadas dos teclados, sopros e cordas. O astral, já elevado, fica ainda melhor com a participação de Zeca Pagodinho em “Deixa a Vida Me Levar”, “Ainda É Tempo pra Ser Feliz” e “Arrasta a Sandália”.

O DVD ainda traz, ainda, o breve documentário “Coração em Festa”, que conta a história de Beth.

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