Primeira edição com êxito

Estreia de festival que reúne a nata da MPB no Recife tem encontro de Gil, Marisa Monte e Arnaldo Antunes no palco

iG Minas Gerais |

Palco. Inédito no Brasil, encontro de Gil e Marisa Monte no palco foi o momento mais aguardado
Paulo Uchoa
Palco. Inédito no Brasil, encontro de Gil e Marisa Monte no palco foi o momento mais aguardado

Recife, PE. Com nomes de estilos bem diferentes, como Nação Zumbi e Maria Gadú, a primeira noite do Festival MPB, no Recife, aparentemente não atraiu o público esperado para o evento no sábado. A produção anunciou que 15 mil ingressos foram vendidos para cada uma das noites da festa, mas a sensação é de que, se essa quantidade de gente realmente passou pela área externa do Centro de Convenções, foi para assistir ao seu artista preferido e partir logo em seguida.

Além de Gadú e Nação, ainda passaram pelos dois palcos do festival Arnaldo Antunes, Banda do Mar, Tibério Azul, Mombojó, em uma apresentação com o pianista Vitor Araújo, e Gilberto Gil junto a Marisa Monte, o encontro mais esperado. Sozinho, Gil começou o show às 23h e só depois de cantar “Palco” e “No Woman no Cry” é que Marisa entrou. “Vamos logo começar cantando uma música do Gil e do Caetano que eu gravei”, anunciou antes de “Panis et Circenses”.

Ao todo, 15 músicas foram tocadas em um espetáculo com um set list sem grandes surpresas e priorizando as composições que fazem parte do repertório dela. Nos bastidores, depois do encontro no palco, Gil comentou que o show foi um resgate de uma apresentação que os dois fizeram juntos em Munique, em 1993, em um concerto que homenageou vários esportistas – um deles, Ayrton Senna, um ano antes da sua morte. “Nessa época ela já estava produzindo o disco ‘Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão’, que lançou em 1994 e que eu participei”, relembra Gil, que no show tocou “Balança Pema” e “Dança da Solidão”, as duas faixas do referido álbum em que ele participa.

“Uma coisa que eu lembrei a Marisa, já vindo para o Recife, foi o fato de que 13 de dezembro é aniversário de Luiz Gonzaga e, como a gente estava na terra dele, sugeri que fizéssemos uma homenagem cantando o ‘Xote das Meninas’, que é uma música que eu regravei, ela também, e que está no repertório de nossas apresentações”, explica Gil. Mas o momento que rendeu mais celulares ao alto foi o reencontro tribalístico da noite. A convite de Monte, Arnaldo Antunes cantou com a dupla “Velha Infância” e “Passe em Casa”, relembrando a parceria com Marisa e Carlinhos Brown, no disco lançado em 2002.

Com performances rápidas e sem bis, todos os shows priorizaram os hits dos artistas, como na apresentação da Banda do Mar, que também tocou músicas de Los Hermanos e dos trabalhos solo de Marcelo Camelo e Mallu Magalhães. Tendo Flora Gil entre os organizadores, o Festival MPB deve chegar a outras capitais ainda no primeiro semestre de 2015. São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília devem ser as próximas cidades a receber o evento, que trouxe toda a sua estrutura de palco e iluminação da capital paulista. Pontual em todas as apresentações e sem problemas de som, o festival não teve contratempos em sua organização – exceto no quesito higiene dos banheiros e ausência total de lixeiras no espaço, este último, de longe, o campeão de reclamações. Na noite deste domingo tocariam, ainda, Caetano Veloso, Lenine, Seu Jorge, Ana Carolina, Preta Gil, Nena Queiroga, e Mamelungos & Vanessa Oliveira.

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