Longa traz a BH discussão sobre 20 anos de violência policial

Documentário “À Queima Roupa” ganha sessão e debate com a diretora e PM hoje no Ministério Público

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |



Longa reconstrói casos reais de violência policial com sobreviventes
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Longa reconstrói casos reais de violência policial com sobreviventes

A ideia inicial da documentarista Theresa Jessouroun era fazer um filme sobre a icônica chacina de Vigário Geral em 1993. “Aí, comecei a pesquisa e descobri que a mesma coisa vem acontecendo todo ano, toda semana, até hoje. E vi que não dava para fazer um documentário sobre algo que aconteceu 20 anos atrás, quando isso é um problema atual e é uma das questões mais sérias da segurança pública”, conta a cineasta.

Jessouroun decidiu, então, usar a chacina como ponto de partida para investigar a violência policial no Rio de Janeiro nos últimos 20 anos. O resultado é “À Queima Roupa”, que ganhou o prêmio de melhor direção e melhor documentário no último festival do Rio. Em cartaz atualmente nos cinemas, o longa ganha uma sessão especial hoje às 19h30 no Centro de Apoio Operacional em Direitos Humanos e Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público de Belo Horizonte.

A exibição será gratuita e aberta ao público, seguida de debate com a diretora, o tenente-coronel Claudio Duani Martins, da Polícia Militar de Minas Gerais, e o professor José Luis Quadros, da UFMG e da PUC-Minas. “Fico muito feliz que o filme esteja proporcionando esse tipo de reflexão sobre o que está acontecendo”, considera a cineasta. Uma sessão similar aconteceu na Academia de Polícia do Rio, com a presença de 400 policiais, e o resultado foi impactante. “O comandante da PM disse que foi a primeira vez que se discutiu violência e corrupção na polícia dentro da polícia”, lembra.

Além de autoridades e policiais envolvidos, “À Queima Roupa” entrevista sobreviventes e testemunhas de massacres e traz o depoimento inédito de um “X-9”, informante da PM que revela a ligação entre a organização e o tráfico de drogas no Rio. “Nossos critérios eram que os casos do filme deveriam ter sobreviventes para contar, que não só os policiais, terem sido noticiados em algum veículo de imprensa e eu não queria falar com especialistas, somente envolvidos nas histórias”, diz.

Fazendo uso ainda de reencenações e contando com a consultoria de Ignacio Cano e Julita Lengruber, dois dos maiores especialistas em segurança pública no país, Jessouroun espera que seu trabalho ajude a trazer mudanças e melhoras ao cenário desolador da polícia no país. “São seis pessoas mortas por policiais no Brasil por dia. É mais que uma guerra”, define.

Agenda

O que.  Debate sobre o filme “À Queima Roupa”

Quando. hoje, às 19h30

Onde. Ministério Público – rua Timbiras, 2.928. Barro Preto

Entrada gratuita

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