Em memória do mestre

Fundação de Educação Artística celebra o centenário de nascimento de Sérgio Magnani com homenagens e concerto

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Maestro. Sergio Magnani é uma referência para diversas gerações de músicos de Belo Horizonte
FEA
Maestro. Sergio Magnani é uma referência para diversas gerações de músicos de Belo Horizonte

Berenice Menegale, diretora da Fundação de Educação Artística (FEA), conheceu Sérgio Magnani (1914 - 2001) quando ele chegou ao Brasil, fixando-se em Belo Horizonte, na década de 1950. Com seu vasto conhecimento de música e da cultura italiana, Magnani logo conquistou alunos, e ela mesma foi discípula dele.

“Magnani foi uma pessoa de uma importância enorme para a vida musical da cidade. Durante as cinco décadas que ele viveu aqui, eu acho que ele foi a principal personalidade do universo musical”, ressalta ela. Em razão disso, hoje a instituição, que a pianista ajudou a fundar, celebra o centenário de nascimento do italiano com homenagens e um concerto.

No evento, haverá a estreia do Octeto Vocal Masculino, regido pelo maestro Afrânio Lacerda. A escolha por um grupo de vozes para comemorar a data, de acordo com a diretora da FEA, é coerente com a vasta atuação de Magnani.

“Ele foi regente de todas as orquestras que passaram por aqui e também foi maestro do coral da União Estadual dos Estudantes, que depois se tornou o Ars Nova. Além disso, ele trabalhou em inúmeras montagens de óperas porque conhecia bastante todo um repertório que surgiu na Itália. Ele, assim, conseguia orientar muitos cantores na interpretação dos seus papéis”, detalha Berenice Menegale.

“Faz parte da cultura italiana essa preferência pela voz e pela ópera. Magnani foi um cultivador desse campo da música aqui, embora tenha cuidado do segmento instrumental de maneira vigorosa também”, completa.

Afrânio Lacerda conta que trabalhou com ele no início da década de 1960 e frisa que o homenageado foi responsável por várias temporadas líricas organizadas junto com a colônia italiana. “Ele e um grupo de pessoas muito interessado nesses concertos organizaram vários eventos de música lírica. Magnani foi, assim, uma personagem central de todas aquelas atividades que existiram aqui”, afirma Lacerda.

Apresentação. De acordo com ele, o octeto formado por Wellington Vilaça, Evandro Silva, André Felipe, Igor Ferreira, Carlos d’Elia, Rafael Capossi, André Fernando e Thiago Roussin vai permear criações que transitam entre a vertente clássica e a moderna.

“Como o conjunto é recente, nós estamos nesse processo de construção de um repertório. Essa seleção foi pensada tendo em vista um desenho de vozes formado por uma espécie de dois quartetos. Os cantores se dividem em dois primeiros tenores, dois segundo tenores, dois barítonos e dois baixos”, explica Lacerda.

Dentre as obras a serem interpretadas, figuram trechos da ópera “A Flauta Mágica”, de Mozart; canções de Mendelssohn; Pulenc e uma composição de Schubert. “Eles cantam o ‘Coro dos Sacerdotes’, de ‘A Flauta Mágica’, e nessa parte a Berenice Menegale nos acompanha no piano. Isso acontece novamente quando apresentamos a peça de Schubert. Wellington Vilaça realiza um solo acompanhado por ela”, detalha ele.

Já em outros momentos, os cantores interpretam à capela, especialmente as músicas do repertório francês. “Elas formam um momento mais romântico e são, especialmente, serenatas”, diz.

Agenda

O quê. Concerto homenageia Sérgio Magnani

Quando. Hoje, às 20h30

Onde. Fundação de Educação Artística (rua Gonçalves Dias, 320, Funcionários)

Quanto. Entrada franca

Saiba mais

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, Sergio Magnani se muda para Belo Horizonte e faz a sua estreia como regente na temporada de 1951.

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