Polícia turca invade jornal e TV por suspeita de terrorismo

Jornal 'Zaman' e televisão 'Samanyolu' foram invadidos e várias pessoas foram presas; presidente diz que operação é para deter terroristas que querem derrubá-lo

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Recep Tayyip Erdogan afirmou que objetivo seria perseguir autores do ataque a posto de controle no sudeste da Turquia na sexta-feira, quando 17 soldados foram mortos
AGÊNCIA FRANCE-PRESSE
Recep Tayyip Erdogan afirmou que objetivo seria perseguir autores do ataque a posto de controle no sudeste da Turquia na sexta-feira, quando 17 soldados foram mortos

A polícia turca invadiu neste domingo (14) as instalações do jornal "Zaman" e à televisão "Samanyolu", ligada a um opositor do governo. Foram detidas 24 pessoas, dentre executivos e ex-chefes de polícia. A  operações é contra o que o presidente Tayyip Erdogan diz ser uma rede terrorista conspirando para derrubá-lo.

A ação marca uma escalada da batalha de Erdogan contra o ex-aliado Fetullah Gulen, clérigo muçulmano que vive nos Estados Unidos, com quem está em conflito aberto desde que uma investigação por corrupção surgiu há um ano.

Imagens divulgadas ao vivo por canais de TV turcos, mostram o editor do Zaman Fetullah Gulen sorrindo antes de ser levado sob aplausos dos funcionários.

"Deixem aqueles que cometeram crimes ficarem com medo", disse ele conforme a polícia o levava com dificuldade pela multidão até um carro. "Não estamos com medo."

De acordo com o G1, a imprensa local informou que foram emitidos mandados de prisão  para 32 pessoas. A emissora estatal TRT Haber disse que 24 pessoas foram detidas em incursões na Turquia, incluindo dois ex-chefes de polícia. Produtores e funcionários de séries dramáticas da "Samanyolu" foram detidos, junto com o presidente do grupo.

Tayyip Erdogan - Eleito em 2002 pelo Partido AK eleito em 2002, adotou muitas reformas democráticas em seus primeiros anos no poder e restringiu a participação do Exército na política. Aliados da Otan frequentemente citam a Turquia como um exemplo de democracia muçulmana bem-sucedida, mas recentemente os críticos têm acusado Erdogan de intolerância com a oposição e de, cada vez mais, uma reversão às raízes islâmicas.

Os ministros do governo se recusaram a fazer comentários específicos sobre as operações, mas o ministro da Saúde, Mehmet Muezzinoglu, disse à imprensa local que qualquer pessoa que comete erros paga o preço.

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