Presidente da Petrobras colocou novamente cargo à disposição de Dilma

Executiva teria ficado incomodada com sugestão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de substituir toda direção da estatal

iG Minas Gerais |

Graça Foster vai ao Senado terça-feira falar sobre denúncias contra Petrobras
Antonio Cruz/ABr - 22.5.2013
Graça Foster vai ao Senado terça-feira falar sobre denúncias contra Petrobras

Em meio ao turbilhão de acontecimentos e descobertas que tem vindo à tona com a operação Lava Jato, a presidente da da estatal, Graça Foster, colocou seu cargo à disposição de Dilma Rousseff pela segunda vez, em poucas semanas. Em ambos casos, Dilma teria recusado a oferta.

De acordo com a Folha, a executiva da Petrobras conversou com a presidente na semana passada após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sugerir publicamente que toda a diretoria da petroleira passasse por uma substituição.

Interlocutores disseram que Graça confidenciou que a diretoria ficou incomodada com a ofensiva do procurador, mas Dilma não concordou com a proposta.

Na terça-feira (9), durante um evento sobre corrupção na terça (9), Janot disse que "diante de um cenário tão desastroso na gestão da companhia, o que a sociedade espera é a mais completa e profunda apuração dos ilícitos perpetrados, com a punição de todos, todos os envolvidos".

Ele ressaltou ainda que "esperam-se as reformulações cabíveis, inclusive, sem expiar ou imputar previamente culpa, a eventual substituição de sua diretoria".

Assim que a presidente do país teve conhecimento do conteúdo das críticas, ela convocou ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e mandou que desse uma entrevista defendendo a diretoria da estatal. "Não há razão objetiva para que atuais diretores sejam afastados", disse o o ministro no dia.

Pedido de saída - Graça sugeriu deixar o cargo há duas semanas por outro motivo. a saia Ela enfrentou uma saia justa com investidores ao ter de explicar que a divulgação do resultado financeiro da empresa no terceiro trimestre de 2014 teria de ser adiado.

Os balanços auditados é uma exigência da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para empresas que negociam títulos e ações no mercado de capitais, mas a auditoria PricewaterhouseCoopers se recusou a assinar a demonstração contábil da estatal em novembro, em meio às denúncias de corrupção.

Ouvidos pela Folha, ministros disseram que o gesto de Graça foi ''pro forma''. Na avaliação de auxiliares presidenciais, a chefe da estatal queria mais uma sinalização de apoio de Dilma do que, efetivamente, deixar o comando da petroleira.

Novidade - Dilma e Graça conversaram entre terça e quarta-feira sobre a a sugestão de Janot. A Petrobras diz ter tomado providências após as denúncias, mas não afirmou sobre o teor das mensagens de Venina Velosa da Fonseca, que foi subordinada do ex-diretor Paulo Roberto Costa, um dos delatores da Operação Lava Jato. 

Venina deve apresentar e-mails e documentos ao Ministério Público Federal em Curitiba ao longo desta semana para comprovar os alertas.

Graça Foster era diretora de gás e energia da Petrobras na época em que o esquema desbaratado pela Polícia Federal atuava. As investigações não apontaram até agora nada que envolva seu nome com irregularidades. 

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