Ah, se tivéssemos mais base!

Na contramão do interior, Cruzeiro e Atlético terminam ano campeões e com garotos revelados

iG Minas Gerais | Thiago Nogueira |

Aos 20 anos, o volante Eurico foi promovido e já é campeão
Washington Alves / Light Press
Aos 20 anos, o volante Eurico foi promovido e já é campeão

Os títulos nacionais das equipes mineiras na temporada tiveram a importante contribuição de garotos formados aqui, no nosso quintal. Mas a capital é bem diferente do interior do Estado. Dos 12 clubes que disputaram o Módulo I do Campeonato Mineiro deste ano, apenas quatro – América, Atlético, Cruzeiro e Villa Nova – mantêm times em competições oficiais de base promovidas pela Federação Mineira.

As principais praças esportivas do país estão bem à frente de Minas. No Rio de Janeiro é obrigatório que as equipes da Primeira Divisão tenham times sub-20. Já no Rio Grande do Sul e em São Paulo, onde não há essa obrigatoriedade, 81,25% e 87,5% dos clubes, respectivamente, têm equipes em torneios sub-20, sub-17 ou sub-15 (veja detalhes ao lado).

O levantamento é do técnico de futebol e coordenador de atendimento à seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014, Ricardo Leão. Segundo ele, com a desculpa de falta de recursos, os clubes do interior estão perdendo a oportunidade de gerar receita como formadores.

“A desculpa é sempre a falta de dinheiro. Mas os clubes de outros Estados passam pela mesma dificuldade e correm atrás da prefeitura, de empresários da região. Se não tem dinheiro, associa a outro investidor”, pondera Leão, que defende a obrigatoriedade da manutenção de equipes de base por times da Primeira Divisão estadual.

Nem mesmo os times do interior que disputam competições nacionais – Boa Esporte (Série B), Tupi (Série C) e Tombense (que subiu da D para a C) – têm trabalhado períodos de formação de novos talentos. O que ocorre ocasionalmente é a montagem de equipes para competições regionais.

Soluções. Para Ricardo Leão, uma mudança de mentalidade passa pela necessidade de tornar os clubes mais atrativos, a começar por um calendário adequado. É importante também o papel do Estado, com linhas de financiamento, que ajude na capacitação profissional e no fomento de competições regionais.

“O que acontece hoje são clube que montam times profissionais de empreitada para cinco meses (normalmente, o período de duração de um campeonato estadual)”, destaca Leão.

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