Novo perfil do comprador de imóvel é de morador solitário

Pesquisa indica que 41% compram moradia para viverem só; independência financeira justifica

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

Sem pressa. A ilustradora Ila Fox cogitou comprar um imóvel agora, mas adiou a ideia por acreditar que os preços vão cair no futuro
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Sem pressa. A ilustradora Ila Fox cogitou comprar um imóvel agora, mas adiou a ideia por acreditar que os preços vão cair no futuro

A maioria dos compradores de morarias nos últimos 12 meses vai morar sozinha, segundo a pesquisa da Fipe-Zap sobre a demanda de imóveis no país. O estudo mostra que 41% dos consumidores irão morar só. Apenas 10% deles adquiriram a moradia para compartilhar com alguém ou com a família. Do restante, 18% irão investir em aluguel, 24% em revenda e outros 7% estão comprando para outra pessoa morar.

“Essa realidade impacta o mercado de imóveis. Os apartamentos estão ficando cada vez menores. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, muitos lançamentos apresentam unidades de 30 m² ou mesmo 20 m²”, avalia Eduardo Schaeffer, diretor-geral da Zap.

Para a funcionária pública Lorena Alves, 35, que adquiriu seu apartamento em fevereiro deste ano para morar sozinha, a tendência dos preços dos imóveis é continuar no mesmo patamar, mesmo se diminuir de tamanho. “Acho que (os imóveis) não devem valorizar o tanto que valorizaram nos últimos anos. Mas os preços não vão despencar”, diz Lorena.

Schaeffer atribui ao crédito a possibilidade de mais pessoas comprarem seus imóveis e saírem da casa dos parentes mais cedo. “O crédito mais acessível faz com que mais compradores possam sair da casa dos pais, ou de outros parentes, mais cedo. Além disso, muitos preferem morar em um imóvel menor, porém mais perto do trabalho. O trânsito hoje é uma realidade que faz com que as pessoas tentem ficar mais próximas de suas atividades profissionais”, opina Eduardo Schaeffer. “Encontrei um apartamento com um preço bom e desisti de ficar esperando a ‘bolha’ estourar ou a Copa passar. A Copa passou, e os preços não caíram”, opina Lorena.

Outro dado da pesquisa mostra que o número de investidores no terceiro trimestre de 2014 diminuiu 21% em comparação ao mesmo período de 2013. Neste ano, apenas 20% compraram para investimento entre julho e setembro. Em 2013, nesse período, os investidores correspondiam a 41% dos compradores. “Certamente, esse dado demonstra que a expectativa do mercado é que os preços dos imóveis caiam ou, pelo menos, fiquem no mesmo patamar”, diz Schaeffer.

A ilustradora Ila Fox, de mudança para São Paulo, pensou em comprar um imóvel, mas desistiu. “A bolha imobiliária vai estourar ainda mais. Tem muito imóvel encalhando”, acredita Ila.

“O próximo ano será de ajustes na economia. Por isso, os investimentos mais procurados serão os conservadores, que não é o caso de imóveis”, diz o professor de administração do Ibmec Eduardo Coutinho. A pesquisa Fipe-Zap mostra que 40% dos entrevistados acreditam que o preço dos imóveis vai cair, já 32% opinaram que o preço vai se manter, e 28% consideram que o preço vai subir.

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