Minientrevista

Viviane Alcântara - psicóloga e analista de políticas públicas da Secretaria de Assistência Social de Belo Horizonte

iG Minas Gerais |

É possível traçar um perfil dos beneficiários do Bolsa Família? A maioria dos responsáveis por administrar o recebimento do BF é de mulheres. Possuem baixa formação escolar, em geral menos de quatro anos de escolaridade. Muitos estão inseridos no mercado informal (manicures, costureiras, diaristas, pedreiros, serventes, ajudantes). Quando empregados formalmente, são alocados em funções que exigem baixa escolaridade e de baixa remuneração. Em geral, têm acesso à educação e a centros de saúde próximo à residência, mas a qualidade é questionável.

Os beneficiários têm esperança de poder viver sem o Bolsa Família?

Quando se fala em esperança de melhorar de vida, sim. Contudo, penso que a mudança só ocorre quando fazemos um projeto de vida. O que percebo é que a maioria dos beneficiários não tem um projeto de vida. O único projeto de vida dessas pessoas, na pobreza ou extrema pobreza, é sobreviver. A melhora de vida efetiva é muitas vezes delegada aos filhos. Esperam que eles estudem e tenham condições melhores. Mas até esse ponto é um pouco contraditório. Não existe uma valorização da educação por parte das famílias. Temos altos índices de evasão escolar, principalmente dos jovens entre 12 e 16 anos. Acabam assim por repetir um ciclo de pobreza, pois ficarão sujeitos a trabalhos mal remunerados.

O que é possível fazer para melhorar o Bolsa Família? Quais seriam as portas de saída para quem hoje depende do benefício?

Os beneficiários precisam ter um projeto de vida, eles devem querer sair efetivamente da situação de pobreza. Mas para isso o governo tem que viabilizar acesso a saúde, a educação de qualidade. As famílias precisam de respaldo do Estado, uma base que garanta seus direitos básicos para construir uma vida melhor. Penso que o Bolsa Família é um programa importante na melhoria da qualidade de vida dos seus beneficiários, mas ele em si não é suficiente para combater um ciclo de pobreza tão complexo.

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