Pulverização mantém voto, mas muda perfil

Nas cidades onde Dilma Rousseff obteve mais de 70% dos votos, analfabetismo, pobreza e beneficiários caem, sem alterar perspectiva de melhorias

iG Minas Gerais | Ricardo Ballarine |

Na casa de beneficiário do Bolsa Família, um prato ao fim da refeição
fotos LINCON ZARBIETTI
Na casa de beneficiário do Bolsa Família, um prato ao fim da refeição

A falta de perspectiva para a população das pequenas cidades faz com que o cenário pouco se altere. Com pequenas mudanças, esse perfil – alto analfabetismo e índice de extrema pobreza e grande número de beneficiários do Bolsa Família – se repete nas 27 cidades onde Dilma teve mais de 80% dos votos.

Já ao olhar para os municípios onde Dilma obteve mais de 70%, além de pulverizados pelo Estado, é possível perceber um grau de extrema pobreza menor. O analfabetismo também cai, assim como os percentuais de beneficiários.

Caso de São José do Goiabal (região Central, a 187 km da capital), cujo índice de extrema pobreza de 2010 é de 3,3%, nove pontos a menos do que em 2000 e ligeiramente abaixo da média de Minas (3,49%). As famílias dependentes são 34%, abaixo da média das cidades Norte. O analfabetismo chega a 15,3%, índice alto, mas também abaixo da média do Norte de Minas.

Como comparação, Bonito de Minas (Norte, 653 km), onde Dilma obteve a maior votação proporcional (88,37%), a taxa alcança 37%.

No momento em que os índices de qualidade de vida sobem e a independência do cidadão emerge, é quando o voto se torna mais consciente, diz Murilo Fahel, pesquisador da Fundação João Pinheiro. Para isso, as políticas sociais precisam de incrementos. “Você abusa do baixo nível de escolaridade, as pessoas não têm critério discricionário tão claro e se sentem ameaçadas em perder uma certa condição de bem-estar e podem votar no partido X.”

Caminho. Educação é caminho essencial para uma porta de saída. “O partido governista hoje parou de falar nas portas de saída. Para um jovem, o que existe é o Pronatec e o ProUni. Mas você não consegue tirar as pessoas num volume tão grande, pois o mercado não suporta”, diz o pesquisador da FJP.

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