Acusados negam ter torturado

Militares que compõem lista de torturadores da Covemg questionam relatório do colegiado

iG Minas Gerais | Guilherme Reis Lucas Pavanelli |

Atentado. Afonso Paulino é citado como integrante do Comando de Caça aos Comunistas
CHARLES SILVA DUARTE / O TEMPO
Atentado. Afonso Paulino é citado como integrante do Comando de Caça aos Comunistas

Acusados de praticar tortura durante o regime militar negam participação nos atos e contestam critérios adotados pela Comissão da Verdade de Minas Gerais (Covemg) para apontar agressores. De acordo com o levantamento feito pelo grupo, 46 repressores usaram de violência contra oposicionistas no Estado.

Presente na relação de torturadores, Afonso Paulino, que era dono do “Jornal de Minas”, foi descrito pela Covemg como ex-membro do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) e como pessoa ligada aos órgãos de repressão Doi-Codi-BH e Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Paulino também foi citado como responsável pelo atentado contra o jornal “Em Tempo”, de orientação oposicionista.

Ao tomar conhecimento do relatório, Paulino se disse surpreso e rechaçou as acusações. “Não sei de onde partiu essa denúncia. Eu tenho documentos que comprovam que eu nunca estive envolvido em nada. Não sou de direita nem de esquerda. Sou do meu Brasil brasileiro. Eu sou contra ditaduras, contra terrorismo, contra corrupção, contra bandidos e contra extremismos”, argumenta.

Nome de medalha de honra em Minas, o ex-delegado geral da Polícia Civil Luiz Soares da Rocha, falecido há 35 anos, é outro nome citado como torturador. No entanto, para seu filho Marco Antônio Soares, a Covemg não tem legitimidade para fazer acusações, já que “analisa apenas um lado da história”. “É um desrespeito acusar uma pessoa e não ouvi-la, não escutar os familiares. Ele seria incapaz de torturar e matar. Porque não falar também dos vários militares mortos na época? É como se só guerrilheiros tivessem sido mortos, e como se não tivessem feito nada”, disse, chorando.

Os filhos do ex-chefe do Dops no Estado David Hazan, já falecido, também contestam a presença do nome do pai na relação de agressores. Elizabeth Hazan explica que outras pessoas praticavam as torturas na unidade do pai, que era retirado do local. “Meu pai era contra tortura. Ele ficava triste porque quem judiava dos presos era o Lúcio Scoralick (detetive da Polícia Civil), e ele levava a culpa”, disse.

O irmão de Elizabeth, Márcio Hazan, relata que seu pai tinha muitos amigos comunistas e entende que ele só foi citado porque chefiava o Dops. “Nunca tinha ouvido falar que ele era torturador. Vou procurar a comissão para entender essa história”, afirmou. (Colaborou Fransciny Alves)

Passado

Silêncio. As famílias do ex-PM Léo Machado e do ex-servidor da Secretaria de Segurança Pública de Minas Haydn Prates, também acusados de tortura, não quiseram comentar a lista feita pela Covemg.

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