Precisa mudar

iG Minas Gerais |

A crise que atinge a Petrobras já seria difícil de enfrentar em situação de calmaria. Agora, a cotação do barril de petróleo nos US$ 57, quase a metade dos US$ 110 de um ano atrás, deixa a estatal nos piores lençóis de sua existência. A notícia de queda das cotações, que deveria encher de júbilo os consumidores, na realidade é prelúdio de aumentos para enfrentar o rombo colossal que a União suportará para manter em vida a sua controlada. A Petrobras encabeça o ranking das empresas mais endividadas da terra. Endividada por escolha política e estratégica de quem manda neste país, exatamente para investir na extração de petróleo no pré-sal. Um petróleo que apresenta o custo mais alto de extração e o torna o menos competitivo do planeta. Tirar petróleo das profundezas do pré-sal, num mercado com cotações em queda, poderá ser um suicídio sem “retorno” econômico. Mas, sem dúvida, imporá o alongamento dos prazos de amortização das dívidas e dos investimentos. As ações da estatal despencam e fazem lembrar o recente caso OGX, do ex-bilionário Eike Batista. De R$ 23 por ação no auge, a cotação despencou em menos de um ano para R$ 0,10, hoje zeraram. Viram papel velho quando as expectativas de produtividade do poços do pré-sal se confirmaram em apenas 20% das anunciadas, comprovando a inviabilidade da extração. Petrobras tem ainda 1,4 milhão de barris extraídos a baixo custo, mas em reservas que estão se esgotando. OGX nem com a cotação a US$ 100 por barril conseguiu sobreviver. A evaporação do valor patrimonial de Petrobras está em ato e se liga, mais que ao descrédito da condução financeira, ao surgimento de novas realidades no mercado. Mas isso não é sabido de hoje, qualquer especialista do ramo alertava sobre o alto risco e a condição sine qua non de valores do barril acima de US$ 100. Petrobras é uma caixa-preta, diferentemente não teria sido tão fácil desviar dezenas de bilhões, envolta numa espessa cortina de propaganda que as delações estão abrindo, mostrando que as dúvidas ficaram piores ainda. Enquanto o governo brasileiro abafava com triunfalismo as confusões da Petrobras, já se sabia há mais de 5 anos que o potencial do xisto requeria cuidados na aposta concentrada no pré-sal. Hoje os EUA, maior consumidor de petróleo, avançam para autossuficiência com baixo custo, mas nem por isso deixaram de investir no etanol de milho e produzem o dobro de quanto o “avantajado” Brasil consegue. O xisto dá lucro, o pré-sal gera perdas, e essa realidade é destruidora para o Brasil, e ainda sua produção de bioetanol continua a cair e fracassar. O quadro é desalentador para o Brasil, e mais ainda desalenta a atitude da presidente Dilma em manter no comando exatamente quem conduziu a estatal ao desastre. Petrobras precisa de uma faxina radical, assim como o meio político nacional. O país vai afundando e destroçando seu patrimônio energético. Provavelmente, apenas a presidente Dilma considera que a presidente da Petrobras, Graça Foster, tenha possibilidade de segurar o leme no furação que atormenta a estatal. Ninguém acredita nisso, nem seu partido. Os últimos dois presidentes da Petrobras, Sérgio Gabrielli e Graça Foster, são estigmatizados pela incapacidade mais entristecedora de evitar o desastre. Certamente, qualquer reformulação ou refundação da estatal inicia do afastamento dos atuais ocupantes dos cargos mais altos. Ou por omissão, ou por incapacidade, são responsáveis pela condução da empresa. Se um gerente se dispõe a devolver US$ 100 milhões, o que terão a dizer seus superiores? Graça Foster tem que ficar à disposição para explicações que durarão alguns anos, não tem tempo para conduzir uma operação de salvamento do maior patrimônio desta nação. A Petrobras precisa de austeridade, credibilidade e competência, que não se encontram na atual cúpula da estatal. Perder tempo seria outro erro, como foi no caso Eletrobras, reduzida a frangalhos pelas persistentes e desastradas decisões do Planalto. O Brasil precisa de acertos, de erros já chega. 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave