Netflix e Amazon dominam

Pela primeira vez, grandes redes de TV norte-americanas não concorrem a melhor série de comédia ou musical

iG Minas Gerais |

Estatueta. 
“The Orange Is The New Black”, da Netflix, pode ser a grande vencedora
Estatueta. “The Orange Is The New Black”, da Netflix, pode ser a grande vencedora

Daqui a um mês, quando as comediantes Tina Fey e Amy Poehler apresentarem a entrega do Globo de Ouro, a disputa pelo ambicionado prêmio de melhor série de comédia ou musical terá frente a frente, pela primeira vez, dois gigantes de tecnologia: Netflix, com “Orange Is the New Black’, e Amazon, com ‘Transparent”, ambos distribuídos sob demanda via internet. 

Na lista de indicados divulgada na última quinta-feira (11), foi também a primeira vez em que nenhuma das grandes redes norte-americanas, CBS, ABC, NBC e Fox, entrou na competição. Além das duas empresas de tecnologia, concorrem uma rede menor, CW, com “Jane the Virgin”, e a HBO, com “Girls” e “Silicon Valley”. Na última premiação, as quatro grandes chegaram à final – e a Fox venceu.

Prêmio de representatividade sempre questionada, com acusações até de corrupção, o Globo de Ouro 2015 apenas ecoa, na verdade, uma série de decisões empresariais que aceleraram a troca de guarda na TV norte-americana, das redes para os serviços de internet.

O pioneiro Netflix, criado em 1997, responde hoje por um terço do tráfego on-line nos Estados Unidos. Dois meses atrás, o canal pago HBO anunciou para 2015 um streaming próprio de internet à maneira do Netflix, da Amazon e do Hulu. No dia seguinte, a CBS –que não se quis se juntar a ABC, NBC e Fox no Hulu, em 2007– anunciou também o seu. Com a CBS, caiu o último muro de resistência à TV pela internet, on demand, no mercado norte-americano tradicional.

Na atual temporada nos EUA, iniciada em setembro, as redes vêm apresentando uma queda média de 3% na audiência. Segundo estudo da mesma CBS, apresentado na última segunda-feira (8) na conferência de mídia do UBS, em Nova York, os domicílios norte-americanos com serviços como o Netflix assistem bem menos à TV tradicional do que aqueles sem o serviço.

A disrupção, como chamou o estudo da CBS, avança também no mercado brasileiro – onde a presidente Dilma Rousseff, sintomaticamente, diz ter o Netflix como plataforma preferencial.

O serviço estreou no país em 2011 e já realizou sua primeira série local no ano passado, “A Toca”, junto com uma produtora de vídeos on-line de humor, a Parafernália.

No momento, produz sua primeira série de grande fôlego para o país e a América Latina, “Narcos”, sobre o traficante colombiano Pablo Escobar, dirigida por José Padilha e protagonizada pelo ator Wagner Moura, ambos de “Tropa de Elite”.

Paralelamente, a Rede Globo vem desenvolvendo serviços semelhantes ao Netflix, como Globo.TV+, também por assinatura, com acesso a seus programas on demand, e o site de entretenimento Gshow, lançado neste ano e que traz séries cômicas curtas produzidas com exclusividade pela emissora.

 

“Narcos”

Sinopse. Em 13 episódios, a série estreia em 2015 e conta a história do colombiano Pablo Escobar (1949-1993), o senhor da droga colombiana, que se tornou um dos homens mais ricos do mundo graças ao tráfico de cocaína nos EUA.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave