Operação resgate

Em crise de audiência, “Vídeo Show” volta para o núcleo de Boninho e já ensaia nova reformulação na atração

iG Minas Gerais | geraldo bessa |


Novo apresentador, Zeca Camargo não consegue dar uma cara diferente ao “Vídeo Show”
Globo
Novo apresentador, Zeca Camargo não consegue dar uma cara diferente ao “Vídeo Show”

Há mais de 20 anos no ar, o vespertino “Vídeo Show” se tornou uma dor de cabeça para a direção da Globo. Visto inicialmente como uma importante plataforma de resgate da memória da emissora e vitrine de seus produtos principais, o programa já passou por algumas reformulações na última década. A mais radical e pretensiosa ocorreu em novembro do ano passado, quando o diretor Ricardo Waddington assumiu o núcleo da produção e a transformou em um programa de auditório. Para dar credibilidade ao formato, convidou o jornalista Zeca Camargo para apresentar a experiência. O trabalho de Zeca sempre foi extremamente ligado ao mundo do entretenimento, principalmente, ao meio musical. No entanto, mesmo informal, era possível ver que ele não tinha nada a ver com o “Vídeo Show”. Tentando conquistar a audiência aos gritos, o máximo que conseguiu foi ser abafado pela personalidade nonsense de Otaviano Costa.

Cerca de um ano depois, o que se vê no “Vídeo Show” é Zeca com apenas um quadro, no qual viaja ao mundo mostrando os bastidores de produção de séries internacionais e emissoras parceiras da Globo. Enquanto isso, com o auditório desfeito, Otaviano comanda o programa a partir de diferentes pontos da Central Globo de Produção, falando direto ao telespectador, sem cerimônias e com o jogo de cintura que lhe é peculiar. Dublê de ator e apresentador experiente, é evidente que ele consegue se comunicar muito melhor com o público. Mesmo assim, a audiência do programa parece empacada. Bem distante dos dois dígitos de meados dos anos 2000, no último mês de novembro, por exemplo, a média do Ibope ficou em 7 pontos. O número acendeu a luz amarela na Globo e fez com que a cúpula da emissora alterasse novamente o núcleo do programa, que voltou para o comando de Boninho – que cuidou do “Vídeo Show” de 2009 a 2013, com médias entre os 10 e 12 pontos.

De volta ao posto, há cerca de 20 dias, Boninho ainda não fez nenhuma grande modificação na produção, mas já aparou algumas arestas. A primeira medida foi suavizar o tom das entrevistas, antes muito histriônicas, e fazer uma limpeza no quadro de repórteres. O programa está mais clean. Mas alguns detalhes ainda carecem de atenção. Mesmo no jornalismo de celebridades, ver a intimidade forçada de Pathy DeJesus com seus entrevistados soa bobo e nada interessante. Em vez de informar e fazer perguntas pertinentes, ela apenas passeia pela troca de elogios e carinhos gratuitos com o elenco da Globo. Uma reformulação geral do programa está prometida para ocorrer no início do ano. De certo, apenas o esvaziamento da participação de Zeca Camargo.

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