Compactador de muitos egos

Diretores e apresentadores debatem os bastidores dos reality shows da televisão aberta

iG Minas Gerais | anna bittencourt |

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Os reality shows invadiram a programação da TV aberta. Apesar de vistos por muitos como programas supérfluos e desinteressantes, o formato conquistou certa parcela da audiência e garante sobrevida ano após ano. Torcidas apaixonadas movem as redes sociais e criam grupos de mocinhos e vilões a partir, simplesmente, da postura de cada participante. Os casos mais claros dessa polarização acontecem nas produções de confinamento e convivência, como o “Big Brother Brasil”, da Globo, e “A Fazenda”, da Record. Os musicais, como o extinto “Ídolos” e os atuais “The Voice Brasil” e “SuperStar”, variam mais de acordo com o carisma de cada aspirante a cantor do que com a voz ou estilo, propriamente ditos. Os culinários, como o “MasterChef”, da Band, e “Cozinha Sob Pressão”, do SBT, simulam formatos já consolidados mundialmente e mexem com o senso de competição de quem está em casa. Com um espaço anual na grade das emissoras, esses programas têm um longo processo para achar seus personagens e tornar seu conteúdo interessante. “Estamos sempre mudando. Esse ano, por exemplo, vamos vir com uma cara mais popular, de novela”, adianta Boninho sobre o “Big Brother Brasil”, que estreia sua 15ª edição em janeiro.

No “BBB”, o processo para encontrar participantes envolve uma união de fatores. Em um primeiro momento, a ideia era fazer acreditar que apenas quem se inscrevesse poderia estar na casa. No entanto, os próprios brothers contavam que foram convidados por produtores. Mas, ainda assim, vídeos e seletivas em vários Estados são a principal porta de entrada para o programa. Já em “A Fazenda”, a dinâmica é diferente. Os peões não podem ser completos anônimos. A ideia é que todos os integrantes tenham tido, pelo menos, algum tipo de repercussão com o público. “É um processo que dura cerca de seis meses. A gente faz uma lista baseada em quem está ou já esteve na mídia. Selecionamos uns 50 nomes e começamos a fazer entrevistas pessoalmente”, explica Rodrigo Carelli, diretor da produção. Para se precaver de qualquer desistência em cima da hora, Rodrigo explica que, para cada edição, tem dois nomes de stand by. “Às vezes, essas pessoas, se não são utilizadas, acabam entrando no próximo ano”, conta.

A Record já tentou fazer uma versão com anônimos para o reality show que reune “famosos”. No entanto, “A Fazenda de Verão” acabou sendo um tiro no pé e não conseguiu se manter na grade da emissora. Caminho diferente percorreu o “MasterChef”. Apesar da Band não ter um histórico de produções deste tipo, o formato importado da Inglaterra alcança bons índices em seu primeiro ano de exibição. Encabeçado por Ana Paula Padrão, o programa começou com 14 aspirantes a chef que nunca tiveram qualquer contato com a gastronomia profissional. “Fizemos uma seleção inicial com 300 pessoas. Todas cozinharam e tiveram seus pratos avaliados por uma comissão julgadora”, explica Ana Paula. Para ela, mexer com talentos e aspirações é uma tarefa muito complicada e que dá um sabor a mais no “MasterChef”. “Não só o público, mas nós ficamos emocionados com as histórias, com os pratos que dão errado, com os descuidos”, lamenta a apresentadora.

Assim como o “MasterChef”, os participantes dos reality shows musicais também são escolhidos na base do talento. Para o “The Voice Brasil” e para o “SuperStar”, não conta se o participante ou banda já teve uma repercussão anterior na mídia. O que está em jogo é mais comercial. É como se cada aspirante fosse um produto: ganha quem se vender melhor. O processo de escolha dos participantes também é feito através de seletivas estaduais.

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