A máscara caiu de vez

iG Minas Gerais |

O voleibol brasileiro vive a maior crise de sua história depois que o Banco do Brasil (BB) suspendeu as verbas que repassava à Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) por causa do escândalo de desvio de verba pública na entidade, tida, até a divulgação das denúncias – feitas pelo jornalista Lúcio de Castro, da ESPN Brasil –, como um oásis de competência e de boa administração em um deserto de federações esportivas dominadas por dirigentes, no mínimo, fracos administrativamente. Após mais de 20 anos de parceria, o BB não mais dará dinheiro para a CBV, que deve ter muita dificuldade para manter o alto nível do nosso vôlei, hoje, sem dúvida, o melhor do mundo. Ao mesmo tempo em que todas as sensacionais conquistas da modalidade deram muitas alegrias aos brasileiros, serviram de cortina de fumaça para encobrir os milionários desvios na CBV, que chegaram a atingir até premiação de atletas em Londres-2012, conforme matéria de Daniel Brito, publicada ontem pelo UOL. Os maiores envolvidos nos casos de desvio de dinheiro público são Marcos Pina, Fábio Azevedo e Ary Graça Filho, ex-presidente da CBV e, atualmente, comandante da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). Os dois primeiros foram dirigentes da CBV e, através de suas empresas, receberam dinheiro da entidade por supostas prestações de serviços, que, segundo a Controladoria Geral da União (CGU), não têm nenhuma comprovação de terem sido efetivamente prestados, sempre sob a presidência de Ary Graça. Não custa lembrar que Ary Graça, que deve ter sérios problemas para conseguir se explicar aos filiados da FIVB, foi o substituto de Carlos Arthur Nuzman no comando da CBV. Nuzman é o atual presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Ary Graça ficou no comando da CBV por 15 anos e tem Fábio Azevedo como seu principal assessor na FIVB. Quando o escândalo estourou, com as denúncias da ESPN Brasil, Ary Graça era presidente licenciado da CBV e acabou renunciando ao cargo, assumido por Walter Pitombo Laranjeiras, o Toroca, que continua a frente da entidade depois de quase 30 anos como vice-presidente. Até agora, o ilustre presidente da FIVB não veio a público para se explicar. Está sumido! Esse osso deve ser bom mesmo, pois esse pessoal não o larga de jeito nenhum! Reflito sobre o que devem estar pensando jogadores, treinadores, auxiliares, dirigentes dos clubes, assim como empresários que investem no esporte, esses sim os verdadeiros responsáveis pelo patamar que a modalidade alcançou no mundo. Eles foram traídos por essa gente que posava de competente, acima do bem e do mal, dirigentes de sucesso. Sucesso financeiro com certeza! Agora, os amantes do vôlei esperam que os órgãos competentes corram atrás dessa história para desmascarar, de uma vez por todas, os mascarados do vôlei brasileiro. Alguns jogadores, como Gustavo, Bruninho, Dante e Murilo já se manifestaram através das redes sociais, com fortíssimas críticas à CBV. Gustavo foi mais longe: sugeriu a paralisação da Superliga. Ao contrário dos atletas do futebol, que, em sua imensa maioria, são alienados, no vôlei a situação é bem diferente. Isso nos dá a esperança de que esse escândalo não desaparecerá no tempo, como tantos outros. A coisa apenas começou feder, e vai feder ainda muito mais.

A hora dele. Muita gente não gosta de Bernardinho por seu estilo agressivo e pouco amistoso em quadra. Porém, se tem um cara que pode colocar o dedo na ferida, esse cara é ele. Ganhou tudo, tem moral, nunca teve o nome envolvido em falcatruas e foi apontado, quando a ESPN Brasil divulgou as denúncias, como o responsável pelo vazamento das informações. Está na hora de peitar a CBV e, quem sabe, até ficar a frente dela.

Morte na praia. Embora o vôlei de quadra deva ser atingido com o corte de verbas do Banco do Brasil (BB), o de praia pode e deve parar. A modalidade vive do patrocínio do BB, tanto que há o Circuito Banco do Brasil de vôlei de praia, o Nacional da modalidade. Embora eu ache o esporte sem graça e sem emoção, ele é tão vencedor e igualmente respeitado internacionalmente como o nosso vôlei de quadra. Pena!

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