Situação delicada com a China faz papa recusar dalai-lama

Líder tibetano teria entendido situação; Francisco não vai receber vencedores do Nobel

iG Minas Gerais |

Polêmica.
 Papa disse que o céu está aberto a todas as criaturas do Senhor e contrariou conservadores
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Polêmica. Papa disse que o céu está aberto a todas as criaturas do Senhor e contrariou conservadores

Cidade do Vaticano, Vaticano. A já complicada relação entre o Vaticano e o governo Chinês ganhou mais um capítulo constrangedor nesta sexta. Para evitar novas situações embaraçosas, o papa Francisco negou uma audiência privada ao dalai-lama. O líder espiritual do Tibet teria entendido a situação, de acordo com informações de um porta-voz do Vaticano. O pedido foi rejeitado “por razões óbvias, considerando a situação delicada” com a China, disse o porta-voz à agência “Reuters”.

O dalai-lama que está na Itália, onde participou de uma conferência de vencedores do prêmio Nobel da Paz, disse à imprensa local que procurou o Vaticano em busca de um encontro, mas foi informado que não seria possível. Por e-mail, Tenzin Taklha, que faz parte do escritório do líder espiritual do Tibet, informou que “a resposta padrão de Sua Santidade (dalai-lama) foi de que estava desapontado em não poder se reunir com Sua Santidade, o papa, mas que não queria causar qualquer incoveniência”.

O Vaticano informou que Francisco não se reunirá com nenhum dos vencedores do Nobel que participam da conferência em Roma e que o número dois na hierarquia do Vaticano, o secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, enviou uma mensagem a eles em nome do pontífice.

Divisão. Na China, a Igreja Católica é dividida em duas comunidades: a primeira é a Igreja oficial, também chamada de Associação Patriótica, que responde diretamente ao Partido Comunista. A outra divisão jura obediência somente ao papa, em Roma.

Uma autoridade do Vaticano, que pediu anonimato, afirmou que a decisão de não receber o líder tibetano foi tomada com o objetivo de “evitar o sofrimento daqueles que já estão sofrendo”, numa clara referência aos católicos na China que são leais ao papa.

O último encontro entre um papa e um dalai-lama aconteceu em 2006, quando ele se reuniu com Bento XVI.

Francisco quer América Latina como modelo Cidade do Vaticano. O papa Francisco instou a América Latina a ser um “novo modelo de desenvolvimento” para o mundo durante a homilia da “Misa Criolla”, realizada nesta sexta no Vaticano. “Nós nos sentimos movidos a pedir que o futuro da América Latina seja forjado pelos pobres e os que sofrem, pelos humildes, pelos que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, porque eles trabalham para a paz, para aqueles que são perseguidos pelo nome de Cristo, porque ‘é deles o reino dos céus’”, declarou o papa. Pela primeira vez desde que foi eleito papa, Francisco oficiou na Basílica de São Pedro uma missa marcada por ritmos tradicionais do folclore sul-americano, que foi escrito há 50 anos por seu compatriota Ariel Ramírez.

Mensagem Votos. O papa Francisco desejou nesta sexta aos vencedores do Prêmio Nobel da Paz reunidos em Roma que seu engajamento produza “uma colheita abundante de paz no mundo”, em uma mensagem lida por um cardeal do Vaticano. O papa “é profundamente grato pelo empenho dos participantes desta cúpula para a promoção da paz e da fraternidade entre os povos, e seus esforços para encontrar soluções para os conflitos de hoje”, dizia a mensagem.

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